Chuva compromete qualidade da safra
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segunda-feira, 02 de março de 1998
Vânia Casado Guto Rocha 
Josoé de CarvalhoAlagadosLavoura de soja na região de Londrina inundada pelas águas das chuvas que caem desde o dia 19 de fevereiro As chuvas que caem sobre o Estado do Paraná estão ameaçando a colheita da safra de verão. As culturas mais prejudicadas com o clima instável são o algodão, que começa a perder qualidade, e a soja, que além da qualidade comprometida, pode ter a colheita atrasada, em função da paralisação das máquinas nas regiões mais atingidas. Neste final de semana, choveu o equivalente a um mês de chuvas nos municípios de Umuarama, com 158 milímetros, Maringá, com mais de 130 milímetros e Cidade Gaúcha, com 108 milímetros.
As cooperativas da região Norte ainda não têm um levantamento sobre as perdas provocadas pelas chuvas diante da dificuldade de deslocamento dos técnicos para o campo, com as estradas alagadas, informou Flávio Turra, técnico da Ocepar. Ele confirmou que as máquinas estão paralisadas nas lavouras de soja em algumas regiões, principalmente na região de Umuarama, Rolândia e Astorga.
Segundo o chefe do Departamento Agronômico da Valcoop, de Londrina, Júlio Alberto Gonçalves dos Santos, a soja que está no ponto de colheita, que representa cerca de 10% dos 110 mil ha da área de abrangência da cooperativa, já apresenta perda de qualidade e de peso. Ainda não dá para quantificar a perda, mas com o excesso de umidade os grãos ficam ardidos e alguns casos há germinação, explicou Santos. Nas lavouras de milho, disse Santos, além de as colheitas estarem suspensas por causa da chuva, algumas lavouras também apresentam perda na qualidade, com grãos ardidos e germinados.
Em Londrina, segundo levantamento do Iapar, são registradas chuvas diárias desde o dia 19 de fevereiro. Até ontem, segundo o técnico do Iapar, Edmirson Borrozino, a chuva acumulou 152 mm. No mês de fevereiro, choveu 356,1 mm, para uma média histórica de 172 mm.
Na região de Rolândia, também não há levantamento das perdas provocadas pelas chuvas, mas, segundo o presidente da Corol, Eliseu de Paula, alguns produtores estão com a colheita da soja suspensa há mais de 10 dias. A soja está ficando preta no pé e os grãos estão ficando ardidos, comentou.
Na região de Maringá a chuva obrigou a paralisação da colheita de soja, mas por enquanto ainda não causou prejuízos aos produtores. O gerente da Cocamar, Cesar Augusto Arnoni, responsável por entrepostos de recebimento da safra na região, explica que agora seria o pico da colheita na área de abrangência da cooperativa. Nossa preocupação é com a eventual continuidade das chuvas, o que pode prejudicar a qualidade do produto que já está pronto para ser colhido, afirma.
Segundo Eliseu de Paula, o algodão na área de abrangência da Corol, também já apresenta problemas por causa das chuvas. O presidente da cooperativa afirma que 40% dos 798 hectares com algodão na área da Corol em Jaguapitã estão prontos para colheita. Mas a chuva impede o trabalho. Alguns produtores haviam alugado máquinas para colheita não podem colocar o equipamento no campo, afirmou.
Nas regiões de Umuarama, Londrina e Cornélio Procópio, os técnicos da Secretaria da Agricultura não acreditam em perdas na lavoura de algodão porque os botões já estão bem desenvolvidos e não tem perigo de queda. Mas eles acreditam que se as chuvas continuarem, a qualidade das maçãs será afetada. O algodão ainda está no início da colheita e ela deve se intensificar esse mês. Até a última sexta-feira pouco mais de 1% da área plantada, que corresponde a 1.588 hectares havia sido colhida, com uma produção obtida de 2.528 toneladas de algodão em caroço, informou Maurício Lunardon, técnico do Deral.
A previsão é colher 224.000 toneladas e a produtividade obtida até agora é de 1.593 quilos por hectare, inferior à média esperada no Estado, que é de 1.900 quilos por hectare.
O Simepar informa que deve continuar chovendo hoje no Paraná, principalmente na região do vale do Ribeira. Na região Norte devem permanecer as chuvas fracas e na região Oeste, chuvas mais esparsas. O tempo começa a melhorar a partir de amanhã. (Colaborou Marcos Zanatta, de Maringá)


