As fortes chuvas que estão ocorrendo em todo o Estado nos últimos meses fizeram com que o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) reduzisse a projeção de produção de trigo. No início do ciclo 2014/15 o volume estimado era de 4 milhões de toneladas, mas esse total foi reduzido para 3,5 milhões de toneladas.
As elevadas precipitações na fase de desenvolvimento das plantas e no decorrer da colheita foram os principais motivos dessa revisão, segundo avalia Edmar Gervásio, administrador do Deral. Ele aponta que só em outubro, o volume de chuvas nas 20 estações de monitoramento de clima espalhadas por todo o Paraná apresentaram, cada uma, um volume de chuva superior a 200 milímetros (mm).
Gervásio destaca que algumas estações de monitoramento chegaram a registrar até 300 mm de chuva, sendo que o normal para o mês de outubro varia entre 170 e 200 milímetros. Diante desse cenário, a produção da safra atual será 8% menor em comparação com o ciclo anterior.
Além da chuva, outro fator que favorece uma perspectiva de safra menor em relação ao ciclo passado é a redução de 4% na área plantada com o cereal. Neste ciclo, foram semeados 1,34 milhão de hectares, contra 1,40 milhão de hectares semeados na temporada 2013/14. A média de rendimento estimada pelo Deral para a safra 2014/15 é de 2.657 quilos por hectare (kg/ha), contra 2.747 kg/ha contabilizados na safra anterior.

Qualidade

Diante dos excessos de precipitações contabilizados em solo paranaense nos últimos meses, a qualidade do trigo que foi colhido declinou. Carlos Kamiguchi, produtor na região de Mauá da Serra, conta que o excesso de chuvas trouxe muitos prejuízos. Ele conta que em alguns talhões a perda foi total devido às chuvas de granizo. Em outros, a queda foi em relação à qualidade do cereal. Ao todo, ele estima uma perda de até 40% na qualidade dos grãos recolhidos nesta safra.
Entretanto, nas regiões que colhem o cereal mais cedo, como no Norte do Estado, não houve perdas. Rui Marcos Souza, gerente de suprimentos do Moinho Globo, sediado em Sertanópolis (Norte), explica que o cereal que chegou ao moinho foi de boa qualidade porque foi recolhido antes de iniciar o período de chuvas.
Mas Souza conta que recebeu amostras de trigo localizadas mais para a região Sul do Paraná já no período de chuvas em que foi constatado perda em qualidade. "O plantio mais cedo do trigo já é uma recomendação do setor de pesquisa para o produtor escapar das geadas e das chuvas", observa Souza. Neste ciclo, o Moinho Globo recebeu 30 mil toneladas, 10 mil toneladas a mais em relação ao ano passado. O gerente do moinho atribui o incremento à expansão de área plantada pelos fornecedores.
Nos 4% de área que faltam para ser colhido em todo o Estado, 15% se encontram com qualidade ruim, 44% de qualidade média e 41% de qualidade boa, segundo dados divulgados pelo Deral.

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