Uma forte chuva que caiu na BR-116, na divisa do Paraná com São Paulo, atrapalhou a megaoperação da Receita Estadual, que começou às 16 horas da quarta-feira e durou até as 16 horas de ontem, para conter a sonegação de impostos e a evasão de divisas do Estado. A fiscalização, feita por 75 funcionários em cada turno de oito horas, resultou em 76 autuações avaliadas em R$ 147 mil, das quais 70% eram referentes a mercadorias transportadas sem nota fiscal ou sub-faturada. ‘‘A blitze deu certo, mas não tanto como gostaríamos’’, declarou o diretor da Receita, João Manoel Delgado Lucena.
Segundo Lucena, a chuva, que durou das 3 horas da madrugada até as 15 horas de ontem, atrapalhou ‘‘cerca de 30% da operação’’. Mas ele fez a ressalva que é um número muito difícil de quantificar. Segundo ele, como o número de caminhões que passavam pelo local era muito grande, o galpão não comportava todos eles, e por causa da chuva muitos não foram verificados. ‘‘Nos caminhões basculantes ainda dá para conferir a carga, mas em caminhões lona, não havia local grande o suficiente para o deslonamento’’, explicou.
Lucena afirmou que a estrutura do Posto Fiscal da Receita Estadual na divisa com São Paulo é muito boa, e os problemas enfrentados ontem por causa da chuva ocorreram somente por causa do tráfego. De acordo com dados do governo estadual, passam pelo local uma média diária de 8,5 mil caminhões por dia, número que pula para 15 mil aos domingos.
De acordo com o diretor da Receita, todos os dias há fiscalização nos postos. ‘‘Há uma seleção de produtos e caminhões nesses casos, mas nesta operação não passa nada, vemos tudo’’, disse. Para ele, blitze como essas são muito importantes para conter a sonegação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Lucena contou que nos postos da Receita há um sistema informatizado com o cadastro de todas as empresas do Brasil. ‘‘Não tem como o motorista mentir para a gente, cobrimos todo o País’’, esclareceu. Ele revelou que esse tributo corresponde a 86% da receita tributária do Paraná. Em 1995, o volume de ICMS arrecadado foi de R$ 2,4 bilhões, passando para R$ 4,2 bilhões no ano passado, o que representa um crescimento de 75%.

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