As chuvas diárias sobre o Paraná, em pleno período de colheita, estão preocupando os agricultores. As colheitas de milho e feijão vêm sendo suspensas e este atraso está atrapalhando o plantio do milho safrinha na região Sudoeste. Até agora o desenvolvimento da safra de verão 2000/2001 foi satisfatório para todas as culturas, mas o temor da chuva na colheita já é evidente com o volume de água que tem caído este mês em todo o Estado, admitiu a engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral).
A impressão que se tem é que este mês o volume de chuvas está acima do normal. Mas de acordo com o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná), o regime pluviométrico previsto para o trimestre janeiro, fevereiro e março está dentro da normalidade. ‘‘O que pode estar ocorrendo é uma concentração do nível de chuvas este mês’’, disse o meteorologista Tarcizio Valentim da Costa.
Para se ter uma idéia, de uma média histórica de chuvas de 140 milímetros de chuvas para a região de Curitiba no mês de fevereiro, até ontem (metade do mês) já haviam chovido 94 milímetros. Na região Norte, de uma média histórica de 163 milímetros de chuvas, choveram 65 milímetros. No Litoral a média do mês é de 244 milímetros e choveram 184 milímetros.
A região Central e Oeste do Estado têm sido as mais chuvosas. Na região Central, de uma média de 157 milímetros para o mês de fevereiro, choveram 139 milímetros. E na região Oeste, de uma média de 173 milímetros, choveram 155 milímetros.
A preocupação aumenta à medida que se aproxima a colheita da soja e as chuvas podem atrasar o trabalho dos agricultores. Até agora, 9% da safra de verão já foram colhidas. Para a agrônoma do Deral, se as chuvas continuarem a finalização da colheita do feijão poderá ficar comprometida. ‘‘O importante é que os grãos sejam colhidos secos, para não afetar a qualidade da produção’’, disse Vera Zardo.
As chuvas estão provocando ainda o aumento do teor de umidade do milho que está chegando nos armazéns das cooperativas. O problema está localizado em alguns municípios do Oeste e Sudoeste do Estado. Em outras regiões onde não estão sendo constatados problemas de umidade, está ocorrendo um gargalo no recebimento de milho em função da concentração da entrega do produto, nos períodos de estiagem.
Conforme levantamento do Deral, 88% das lavouras de algodão, 94% das lavouras de soja e 83% das lavouras de milho está em boas condições. Quanto ao feijão das águas, cerca de 92% das lavouras já foram colhidas e o desenvolvimento da cultura foi satisfatório. A produção de feijão deve atingir 330 mil toneladas; a produção de milho, 7,8 milhões de toneladas; de soja, 7,68 milhões de toneladas e a produção de algodão deve atingir uma produção de 152 mil toneladas.

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