As chuvas intensas da semana passada podem ter prejudicado a qualidade do café exposto nos terreiros paranaenses. A informação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz (Esalq), em Piracicaba (SP). O excesso de umidade facilita a fermentação e deprecia a bebida do café.
O coordenador técnico da área de café da Cooperativa Agropecuária de Maringá (Cocamar), Adenir Volpato, confirmou que a umidade relativa do ar atrapalha a seca e atrasa o processo. Para evitar prejuízos, a recomendação é colher apenas os grãos maduros (cereja) e levá-los para o terreiro no mesmo dia, sem amontoar. Depois de alguns dias, o produtor deve começar a amontoar e cobrir nas horas mais quentes do dia. ''É possível que tenha ocorrido o problema em áreas isoladas. Na nossa região, a colheita já está terminando'', comentou.
Corretores de Londrina ouvidos pela Folha revelam que, mesmo antes da chuva, receberam alguns lotes de café com baixa qualidade por excesso de umidade. Segundo o corretor Marcos Bacceti, o produto que não foi coberto quando o tempo estava seco acabava ficando ensopado de orvalho. A falta de cuidado, segundo ele, traz prejuízos de até R$ 20,00 por saca.
O grão de café é considerado seco quando apresenta de 11% a 12% de umidade. Quando o índice supera esses valores, é possível reverter o quadro realizando nova seca. ''Mas prejudica a qualidade'', comentou o produtor Wilson Baggio, de Cornélio Procópio. Segundo ele, o cafeicultor experiente identifca ''no olho'' quando o produto apresenta a umidade adequada. ''Para fazer café bom, precisa ter capricho.''
Mercado A saca de café arábica tipo 6, bebida dura, foi vendida por até R$ 150,00, ontem, em Londrina. O preço é melhor que os R$ 145,00 praticados na semana passada. Houve desvalorização, porém, com relação ao preço de anteontem, quando o produto chegou a ser cotado por R$ 155,00. ''Os vendedores estão retraídos, à espera que o mercado chegue perto do preço dos contratos de opção (R$ 190,00 para vencimento em setembro)'', informou o corretor Devanil Vicente Ferreira.
Baggio comentou que a cotação atual está dando prejuízo ao produtor. ''Para cobrir os custos, o cafeicultor tem que produzir 35,5 sacas por hectare. É menos que a média paranaense'', disse.

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