Chuva afasta risco de crise de energia
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de setembro de 2000
Agência Estado De Brasília 
A antecipação das chuvas está ajudando o governo federal a afastar de vez os riscos do racionamento de energia elétrica para 2001 no País. O superintendente de Fiscalização dos Serviços de Geração da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Cristiano Abijaode Amaral, assegurou à Agência Estado que os reservatórios das 41 usinas hidrelétricas que fazem parte da Bacia do Rio Paraná situada entre os Estados de Minas Gerais e Paraná , responsável por 70% da produção nacional de eletricidade, vão estar mais cheios se comparados a igual período do ano passado.
O aumento da quantidade de água nas bacias hidrográficas brasileiras, nesta época do ano, é creditado pelos empresários do setor elétrico e pelos técnicos do governo a uma ação de São Pedro que, segundo a religião católica, detém o poder da incidência de chuvas nas mais diversas regiões. Amaral acredita que a atuação do santo é suficiente para uma situação mais cômoda na produção de eletricidade.
O risco maior era em setembro e, como começou a chover, estamos mais tranquilos, afirmou Amaral. A comemoração deve-se ao fato de que as expectativas de recuperação dos lagos das principais hidrelétricas das Regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, com as chuvas, estão melhores. Estamos indo bem com a ajuda de São Pedro, assegurou.
O engenheiro explicou que a atenção da agência reguladora está voltada, neste momento, para as represas da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e de Furnas Centrais Elétricas S/A nos rios Paranaíba e Grande.
A represa de Furnas no Rio Grande chegou a 22,20% de quantidade de água. Esta situação chegou a preocupar, segundo o engenheiro, porque estas represas são consideradas as maiores caixas de água do País. Como as chuvas começaram a se intensificar nas Regiões Sul, Centro-Oeste e Norte do Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está manobrando a geração de energia, ou seja, esta contando com a produção das usinas hidrelétricas de Itaipu, no Paraná, e Tucuruí, no Pará, para desafogar as demais usinas.
Na semana retrasada, Itaipu bateu o recorde histórico com a produção de 13.057 megawatts/hora (MW/h) de energia. Isso é 3,62% superior à capacidade nominal das 18 turbinas de Itaipu que, segundo os técnicos, foram envenenadas para poder suprir as necessidade do País. O diretor-geral brasileiro de Itaipu, Euclides Scalco, disse que o conglomerado hidrelétrico está desafogando outras regiões que são produtoras de eletricidade mas que, no momento, devido a escassez das chuvas, estão com dificuldades de operar a todo vapor.
A maior parte desta energia gerada por Itaipu está seguindo para o Estado de São Paulo. Com isso, o ONS possibilita que complexos, como por exemplo localizados nos Rios Tietê, Grande e Paranaíba, possam recuperar o volume de água. Nos anos anteriores, as chuvas começavam entre outubro e novembro, afirmou Cristiano Amaral. Neste ano, estamos percebendo uma precipitação pluviométrica agora em setembro, o que é considerado suficiente para afastar todos os riscos de falta de energia para o ano que vem.


