Churrasco marca greve de operários
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de junho de 1997
Agência Estado São Paulo 
Sebastião Moreira/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Reação imediataPedro Malan, durante reunião com empresários do setor de comércio e construção civil no Distrito Federal, onde o nível de desemprego já atinge 18% da população economicamente ativa: O poder de compra das pessoas é melhor hoje do que quando estávamos naquela vergonhosa inflação de 5.000% ao anoChurrasco com 400 quilos de sardinha, preparadas numa churrasqueira de 9 metros de comprimento, improvisada com blocos de concreto, marcou ontem o segundo dia de greve dos trabalhadores da indústria de construção civil de São Paulo. A sardinha foi escolhida por ser uma carne barata - a única que o salário dos empregados do setor pode comprar, segundo o diretor do sindicato da categoria, Antônio de Souza Ramalho.
O peixe é ainda o prato preferido dos gatos, apelido que se dá ao intermediário, que explora este tipo de mão-de-obra. O gato é encontrado com frequência no ramo da construção civil, e apontado como responsável por contratos de trabalho precários. Centenas de grevistas compareceram ao protesto, em frente ao Sindicato das Indústrias de Construção Civil, o SindusCon.
O prédio do SindusCon ficou ocupado por cerca de 70 trabalhadores, desde à tarde de anteontem, até às 7h00 de ontem. A desocupação foi pacífica, segundo Ramalho. A partir de hoje, os protestos pela falta de acordo sobre o reajuste salarial dos empregados e as cláusulas sociais dos contratos serão feitos fora do sindicato patronal.
Os trabalhadores reivindicam reajustes de 8,2% e mais a renovação das cláusulas sociais de 1995 - desde 1996, quando também não houve acordo na data-base, os empregados estão sem regras definidas de contratação. O SindusCon ofereceu 7% de reajuste e apenas 14 cláusulas sociais, que antes somavam mais de 50.
O Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT) deve julgar a greve nos próximos dias. Segundo Ramalho, o movimento teve ontem adesão de perto de 170 mil trabalhadores, de um total de cerca de 200 mil, que permanecem sem aumento salarial. Os demais 140 mil, também com data-base em maio, estão protegidos por acordos firmados diretamente entre o seu sindicato e empresas do setor. O SindusCon não fez levantamento do número de grevistas e também aguarda julgamento da greve.


