Churrasco brasileiro faz sucesso em Paris
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quinta-feira, 14 de julho de 2005
João Caminoto e Eduardo Magossi<br>Agência Estado 
Paris Depois de se transformar, em poucos anos, no principal exportador de carne bovina do mundo, o Brasil prepara-se agora para agregar valor ao seu produto. ''Não queremos apenas exportar volume, mas aumentar a receita e o preço da nossa carne no mercado internacional'', diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Marcus Vinícius Pratini de Moraes. Como parte importante desta estratégia, a carne bovina brasileira marcou presença, ontem, na festa oferecida pelo presidente Jacques Chirac nos jardins do Palácio dos Champs Elisèes, sede do governo francês, nas comemorações do aniversário da queda da Bastilha.
A tenda organizada pela Abiec foi a que mais fez sucesso entre as várias montadas nos jardins do palácio, nas quais os cerca de seis mil convidados podiam experimentar comidas de vários países. Sob um calor escaldante, os franceses devoraram uma tonelada de carne brasileira, que rendeu cerca de três mil porções de picanha aos convidados, regadas com cerca de três mil doses de caipirinhas. Três churrasqueiros foram trazidos especialmente do Brasil para o evento.
Ao todo, a Abiec pretende investir neste ano cerca de R$ 6 milhões na realização de churrascos de degustação da carne brasileira em vários países do mundo. Depois do sucesso francês, a próxima parada é Kuala Lumpur, na Malásia, em uma feira de alimentos a ser realizada entre 28 e 31 de julho. Depois, em setembro, da World Food Moscou.
Na festa de ontem, enquanto centenas de franceses enfrentavam uma enorme fila para comer o churrasco de carne brasileira, Pratini de Moraes fazia duras críticas ao protecionismo comercial francês e de outros países ricos que limitam a entrada de produtos agrícolas brasileiros.
''Estou cada vez mais convencido de que a Organização Mundial do Comércio é um cartel para defender os interesses neocolonialistas dos Estados Unidos, União Européia, Japão e companhia'', disse. ''Esse churrasco que estamos promovendo às margens do Rio Sena mostra o enorme potencial que existe para a carne brasileira na França.''
Segundo o presidente da Abiec, o governo deve se concentrar nas negociações para fechar um acordo comercial com a União Européia. ''Esperamos que as negociações, que vivem um prolongado impasse, possam ser retomadas para podermos ter uma chance concreta de abrir esse mercado no médio prazo.''
Além da abertura do mercado da UE, o Brasil também aguarda a abertura do mercado chinês. O diretor-executivo da Abiec, Antonio Jorge Camardelli, acredita que a liberação das vendas para a China já está praticamente definida. ''É aguardada para breve uma última missão técnica chinesa para terminar os trabalhos de inspeção sanitária.'' Na luta pelo mercado chinês, a Argentina saiu na frente. Nesta semana, a China liberou a importação de carne bovina de cinco frigoríficos argentinos.


