Chrysler suspende produção no Paraná
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de janeiro de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
A montadora Chrysler vai suspender nas próximas semanas a fabricação das picapes Dakota em sua fábrica de Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba). A decisão anunciada ontem faz parte de uma reestruturação mundial que prevê fechamento de seis fábricas em todo o mundo e a demissão de 26 mil funcionários nos próximos três anos, ou seja, 20% do quadro. Por enquanto, a unidade de Campo Largo não dispensará os trabalhadores.
A diretoria da montadora informou que estuda a possibilidade de substituir a produção do Dakota por outro modelo da Chrysler, ou mesmo das demais marcas da qual a montadora norte-americana faz parte. Essa medida impediria o fechamento da fábrica, inaugurada em julho de 1998, após ter anunciado investir US$ 315 milhões.
A Chrysler faz parte da fusão com a montadora alemã Daimler/Benz, ocorrida em 98. Desde então com o nome Daimler/Chrysler, o grupo detém a fabricação dos carros Mercedes-Benz, Jeep e Dodge. No Brasil, além da unidade de Campo Largo, há outras duas fábrica com a marca Mercedes-Benz. Uma delas produz caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo (SP) e a outra fabrica carros Mercedes em Juiz de Fora (MG). Elas não sofrerão mudanças.
O enxugamento na estrutura da montadora se deve ao seu desempenho mundial. Desde que foi adquirida pela Daimler-Benz, a Chrysler tem fechado no vermelho. Há duas semanas foi divulgado que a montadora teve prejuízo de US$ 1,5 bilhão no segundo semestre do ano passado. O resultado da fábrica em Campo Largo não foi divulgado.
O diretor-adjunto de Comunicação da Chrysler, André Senador, disse ontem que a suspensão da produção paranaense se deve ao fato de a picape Dakota não ter conseguido entrar no disputado mercado nacional. A montadora previa produzir anualmente cerca de 14 mil picapes, logo nos primeiros anos de atividade, mas fechou com produção de 5 mil em 2000, apenas 1,4 mil a mais em relação ao primeiro ano de atividade. Do total produzido, 15% se destinavam à exportação para a Argentina.
Senador disse que a quantidade de unidades produzidas e vendidas não era viável economicamente no País. O modelo Dakota tem preço em torno de R$ 40 mil, enquanto a principal concorrente, General Motors, vende sua caminhonete S-10 pela metade do preço.


