A montadora Chrysler repassou, ontem, ao governador Jaime Lerner cheque no valor de R$ 113,1 milhões, referente ao pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) não recolhido no período que a empresa permaneceu em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. Desse total, R$ 106,3 milhões referem-se efetivamente ao imposto não recolhido e R$ 6,7 milhões correspondem à devolução de um empréstimo feito pela montadora junto ao Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE).
O dinheiro que o governo está recebendo da Chrysler já tem destino. O equivalente a 75% desse montante será investido na recuperação de 10 mil quilômetros de estradas não pedagiadas. Lerner desafiou os prefeitos que vão receber 25% desse total, a fazer o mesmo investimento em relação às estradas municipais.
Em nota oficial do Palácio Iguaçu, o governador disse que estava satisfeito com o valor pago pela Crysler, que corresponde ao ICMS devido no período de três anos, quando iniciou a produção da picape Dakota, em Campo Largo. ''Imaginem o que vão render aos cofres públicos as indústrias que continuam operando'', comparou.
O diretor de Relações Governamentais da Chrysler do Brasil, Luiz Fernando Berea, atribuiu a frustração da montadora no Paraná, à situação econômica do País, ''que não tornou o produto da empresa rentável''. Segundo ele, a montadora fez um investimento de US$ 315 milhões na fábrica de Campo Largo e o fechamento da empresa foi motivado exclusivamente por razões econômicas.
Berea disse que a montadora não tem planos para reativar a linha de produção Dakota no País. Destacou que a Chrysler está disposta a negociar a ocupação das instalações de Campo Largo com outras empresas. Até o momento ainda não foi encontrada uma finalidade para o terreno de 1,2 milhão de metros quadrados, onde está construído o barracão onde funcionava a montadora.

mockup