A inauguração da Chrysler, marcada para as 11 horas de hoje, no município de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, consolida a instalação do segundo pólo automotivo do País, que está atraindo investimentos de R$ 3,9 bilhões, entre montadoras e fornecedores de autopeças. Só em Campo Largo, os investimentos somam mais de R$ 1 bilhão, sendo R$ 315 milhões da Chrysler e o restante das fornecedoras Dana (fabricante de chassis), Detroit Motors (motores) e Lear (assentos e revestimentos).
Outras fornecedoras estão anunciando sua instalação na cidade, como a Goodyear e a Tritec, uma joint venture formada entre a montadora americana e a alemã BMW. A Tritec vai fabricar motores para os carros da Chrysler, nos Estados Unidos, e da Rover, empresa do grupo BMW. A atração dessas empresas está alterando o perfil do município, fato que está impulsionando a prefeitura local a estudar o projeto de uma nova cidade, que até o momento teve na indústria cerâmica seu principal desempenho econômico.
Inicialmente, a Chrysler vai empregar 400 pessoas na montagem da picape Dodge Dakota, que será vendida nos mercados brasileiro, argentino e chileno. Até o final de 98, deverão estar sendo produzidos 12.000 veículos por ano, sendo que a capacidade total da fábrica deverá atingir 40 mil veículos por ano. Mas a ampliação da capacidade de produção vai depender da demanda de mercado, informa a assessoria da montadora. A empresa já está preparada para ampliar em até 30% a capacidade inicial de produção, mas o mercado irá determinar como vai ocorrer a expansão.
A vinda da Chrysler não eliminou a preocupação do prefeito de Campo largo, Newton Puppi, com as dificuldades da indústria de cerâmica, que ainda sustenta 80% da economia local. Para ele, enquanto a Chrysler vai gerar hoje 400 empregos diretos, as cinco maiores empresas de cerâmica do município empregam 1.500 funcionários. Só a Lorenzetti, a maior delas, já chegou a operar com 2.400 funcionários, mas reduziu para 680 funcionários e agora está operando com 900 empregados. A maior dificuldade dessas empresas é a falta de crédito, disse o prefeito. Mas o que deverá impulsionar o setor, imprimindo qualidade nos produtos, será a vinda de gás natural em grande quantidade. Inicialmente o município vai contar com 50% do gás natural produzido pela Refinaria da Petrobrás, em Araucária.
As festividades de inauguração da Chrysler contam com a presença do presidente mundial da montadora, Robert Eaton, do vice-presidente da área internacional da empresa, Theodor Cunningham, e do ministro do Trabalho, Edward Amadeo. O Paraná comemora a consolidação do pólo automotivo que reúne outras três grandes montadoras: a Renault, com investimentos de R$ 1 bilhão em São José dos Pinhais, a Audi/Volkswagem, que está destinando R$ 750 milhões, também em São José dos Pinhais, e a Volvo, fabricante de caminhões e ônibus instalada na Cidade Industrial de Curitiba desde 1972. Em meados do ano passado, a montadora sueca anunciou investimentos de R$ 394,5 milhões na expansão da planta, que está sendo adaptada para a fabricação das cabines do caminhão FH Globetrotter.
A instalação das montadoras atraiu a vinda de 21 empresas fornecedoras, que estão investindo R$ 1,4 bilhão nos municípios da Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a Secretaria da Indústria e Comércio, só essas empresas estão gerando 6.802 novos empregos diretos e 34.000 indiretos. O governo do Estado atribui a atração de novas empresas aos investimentos feitos em infra-estrutura do porto de Paranaguá, aeroportos e nas obras nas rodovias do Anel de Integração. A Secretaria da Indústria e Comércio avalia ainda que o programa ‘‘Paraná Mais Empregos’’, que adia o recolhimento do ICMS para quatro anos, prorrogáveis por mais quatro, foi decisivo na atração das novas empresas.

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