A Chrysler garantiu 90 dias de emprego para os funcionários da montadora instalada em Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba). A decisão foi transmitida ontem, em reunião ocorrida em Brasília, com o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, segundo informou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana, Núncio Manalla. A data para o possível fim dos trabalhos não foi determinada, mas se for considerada a partir deste mês, os metalúrgicos têm garantia de emprego até abril. Na segunda-feira a direção mundial da Chrysler anunciou o fechamento de cinco fábricas em vários países e a suspensão da produção da picape Dakota, em Campo Largo, que possui 250 funcionários diretos.
Nesse período, Dornelles vai marcar uma reunião em Brasília com a presença da direção da Chrysler e dos dirigentes da Força Sindical e da Federação dos Metalúrgicos, onde serão discutidos os novos rumos que a empresa pretende adotar. Todas essas informações estão sendo transmitidas aos funcionários hoje, pela manhã, em assembléia marcada pelo Sindicato dos Metalúrgicos, ligados à Força Sindical.
Manalla disse que a reunião do ministro do Trabalho com a direção da empresa, ontem, trouxe um alento aos sindicalistas porque representa a abertura de um canal de negociação para discutir novas alternativas de produção da montadora.
Enquanto isso, desencontros entre propostas de sindicalistas marcaram ontem o primeiro dia de manifestações de funcionários da Chrysler, em Campo Largo. No início da manhã a Força Sindical fechou a entrada da fábrica e iniciou um piquete dos metalúrgicos por tempo indeterminado. Hoje de manhã haverá nova assembléia para decidir se a paralisação continua ou não.
Diretores do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Montadoras de Veículos, Motores e Chassis de Campo Largo (Sindimovec) tentam convencer os trabalhadores a voltarem ao trabalho. Eles temem possíveis retaliações da Chrysler contra os funcionários que aderirem à greve. No início da manhã de ontem houve bate-boca e um início de tumulto até que o pessoal do Sindimovec deixasse o local e a manifestação continuasse.
A legitimidade do Sindimovec vem sendo questionada na Justiça pela Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba. Segundo o diretor-geral do sindicato, Claudio Gramm, o Sindimovec foi criado para atender aos interesses da direção da Chrysler. O presidente do Sindimovec, Helio Kiera, rebate as críticas. ‘‘O Sindimovec tem legitimidade, tanto que a Justiça determinou multa de R$ 5 mil por dia de manifestação do sindicato dos metalúrgicos na Chrysler, por isso eles trouxeram o pessoal da Força Sindical para cá.’’
As propostas dos dois grupos também são distintas. Ontem, enquanto a Força Sindical defendia a paralisação dos funcionários da fábrica até que seja garantida a manutenção dos empregos, o Sindimovec tentava marcar uma reunião com diretores da empresa para discutir o futuro dos trabalhadores.
O Sindimovec também busca apoio de políticos paranaenses em favor da manutenção dos empregos.

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