A Chrysler vai fechar definitivamente as portas no município de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba. O comunicado oficial da empresa foi feito ontem ao governador Jaime Lerner e ao prefeito de Campo Largo, Affonso Portugal Guimarães. A montadora promete a devolução dos incentivos recebidos do governo do Paraná.
No final da tarde de ontem, o secretário da Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, esteve reunido com o governador Jaime Lerner para discutir o índice de correção dos incentivos concedidos à Chrysler. Segundo cálculo do governo, o débito é de R$ 110 milhões, mas este valor deverá ser corrigido. O governador não quis se pronunciar oficialmente sobre o assunto, ontem. Por meio de sua assessoria, prometeu para hoje uma declaração sobre o fechamento da montadora no Paraná, que produzia a picape Dakota.
Pela manhã, o governador se reuniu com o presidente da DaimlerChrysler na América do Sul, Ben van Schaik, e procurou minimizar o assunto. ''Não cabe ao governo se manifestar para pedir que fiquem no Estado. O governo tem que ser imparcial. Se a Chrysler fechar as portas, outra tão importante quanto ela se instalará no mesmo local'', disse o governador. E prosseguiu: ''É o exemplo do que aconteceu com a Benetton. Onde era a empresa, agora está a fábrica de vidros blindados AGP (American Glass Products)'', justificou.
Hoje uma comissão de advogados da Chrysler estará em Campo Largo para decidir os aspectos legais do fechamento com a Prefeitura de Campo Largo. O prefeito, Portugal Guimarães também quer a devolução dos investimentos feitos pela prefeitura. Ele adiantou que quer ficar com o terreno de 1,2 milhão de metros quadrados onde está construído o barracão da montadora.
Para minimizar o prejuízo causado pela Chrysler, o prefeito quer colocar no terreno outras empresas que já manifestaram interesse em se instalar na região, cujo número de empregos poderá superar o total de vagas geradas pela montadora, disse o prefeito. Portugal Guimarães disse que a Prefeitura de Campo Largo doou parte do terreno e investiu em serviços sociais para acomodar o crescimento da população na cidade ''atraídos pela perspectiva de conseguir um emprego'', afirmou.
O prefeito não soube precisar o total dos investimentos, mas o levantamento está sendo realizado. ''Alguém vai ter que pagar essa conta'', disse. De acordo com Portugal Guimarães, a Prefeitura de Campo Largo ficou com o ''mico'' na mão e agora quer ser ressarcida dos prejuízos. O prefeito quer o ressarcimento em serviços de água, luz, esgoto, saúde, segurança, transportes. Ele adiantou ainda que parte desses custos poderá ser coberta com uma fatia maior na devolução do ICMS da montadora.
O município tem direito a 25% do valor que será devolvido, mas o prefeito disse que quer mais. ''Criou-se na mídia a implantação de um pólo automotivo em Campo Largo e agora o que faço com o problema social criado com a atração de famílias em busca dos empregos criados na esteira da montadora?'', perguntou.
Conforme nota distribuída à imprensa, a Chrysler do Brasil afirma que a fábrica de Campo Largo foi fechada para atender um processo de reestruturação internacional do grupo DaimlerChrysler, que perdeu competitividade no mercado mundial. O grupo não identificou oportunidades para fabricar outro produto na unidade de Campo Largo e por isio decidiu rescidir o protocolo de intenções firmado com o governo do Estado em 17 de fevereiro de 1997.
Com o fechamento da fábrica de Campo Largo serão demitidos 190 empregados, de um total de 250 que a montadora tinha quando suspendeu as atividades de produção da Dakota em 19 de abril. O restante já havia se desligado. (Colaboraram Erika Wandembruck e Maria Duarte, de Curitiba)

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