Chrysler e Daimler selam megafusão
Maior parceria da história cria a 3ª indústria automobilística do mundo, com 420 mil empregados, e mexe com o mercado
Agência Estado/
AP Dow Jones

Johnny Eggitt/France Presse
Sociedade de pesoJurgen Schrempp, da Daimler-Benz, e Robert Eaton, da Chrysler, no anúncio da fusão históricaA Daimler-Benz AG, maior indústria da Alemanha, e a Chrysler Corp, terceira maior montadora dos EUA, anunciaram ontem em Stuttgart que vão se fundir numa nova empresa chamada DaimlerChrysler AG. A nova montadora terá capitalização de mercado de 166 bilhões de marcos, ou US$ 92 bilhões, informou a Daimler. As empresas não divulgaram os valores do negócio que será feito por intercâmbio de ações. Ontem, a operação havia sido estimada em US$ 35 bilhões.
Os acionistas da Daimler vão receber uma ação da nova DaimlerChrysler para cada ação da Daimler que possuírem. Os acionistas da Chrysler vão receber 0,547 ação da DaimlerChrysler em troca da ação da Chrysler. O chairman da Daimler, Juergen Schremp, e o chairman da Chrysler, Robert Eaton, vão co-dirigir a nova companhia, que terá sede em Auburn Hills, Michigan, e em Stuttgart, Alemanha, mas será uma entidade legal alemã.
Para 1999, a nova empresa estima os custos de sinergia em 2,5 bilhões de marcos, ou US$ 1,4 bilhão. No comunicado divulgado em Stuttgart, as empresas afirmam que a nova montadora estará entre as três maiores do mundo em vendas, capitalização de mercado e lucros. Unidas, as empresas teriam vendas de 234 bilhões de marcos, ou US$ 130 bilhões, e lucro pré-impostos de 12,5 bilhões, ou US$ 6,9 bilhões, em 1997.
A DaimlerChrysler terá 420 mil funcionários no mundo. ‘‘Como empresas líderes em suas respectivas áreas, as duas montadoras combinam bem’’, disse o chairman da Daimler, Juergen Schrempp. Ele acrescentou que a fusão vai dar à nova empresa ‘‘uma posição estratégica importante nos mercados globais’’. A fusão ‘‘muda a face da indústria automobilística’’, disse. Eaton, por sua vez, afirmou que os produtos das duas empresas se complementam.
A nova entidade, prevista para nascer no fim do ano, será batizada de ‘‘DaimlerChrysler’’, e o gigante alemão ostentará ‘‘aproximadamente’’ 57% da nova empresa. O resto pertencerá à Chrysler. Através de sua participação de 21,8% na Daimler-Benz, o primeiro banco alemão, Deutsche Bank, anunciou que terá 12% do novo grupo.
Essa união transatlântica representa ‘‘a maior fusão da história’’, afirmou a Daimler. A operação produzirá ‘‘o novo número três do setor’’ automobilístico mundial. ‘‘Em princípio, trata-se de uma tomada do controle da Chrysler por parte da Daimler-Benz’’, comentou Juergen Melzner, analista do Deutsche Morgan Grenfell em Frankfurt. Essa impressão tem sido reforçada pela declaração do presidente da Daimler-Benz, Juergen Schremmpp, que disse à agência de notícas alemã DPA que somente ele dirigirá o novo grupo depois do período transitório de três anos, em que dividirá a presidência com o presidente da Chrysler, Robert Eaton.
Daimler-Benz recebeu os elogios e a aprovação dos responsáveis alemães dos setores econômicos e políticos, mas também a reserva dos sindicatos. Da cidade francesa de Avignon (Sul), onde se celebra a cúpula franco-alemã, o ministro alemão da Economia, Guenter Rexordt, qualificou a fusão de ‘‘decisão inteligente’’.
A afirmação de que não haverá ‘‘uma demissão sequer’’ foi recebida com ceticismo pelo maior sindicato alemão, IG Metall. Um de seus responsáveis regionais, Juergen Peters, questionou ‘‘o sentido do exercício’’, e estimou que as consequências de uma concentração desse tipo trará irremediavelmente novas reestruturações, que pesarão sobre os empregos.
Os economistas estimaram em geral que os dois sócios fazem uma parceria ideal. ‘‘Ficam muito bem’’, julgou Melzner. ‘‘Chrysler sofre de uma debilidade de imagem’’, que na sua opinião será melhorada imediatamente depois de sua união com a estrela alemã.
‘‘O ponto forte da Chrysler são os carros de pequeno e meio porte’’, destaca o especialista, enquanto a Daimler-Benz está especializada nos carros de luxo. Ao mesmo tempo, as duas podem melhorar suas respectivas cotas de mercado do outro lado do Atlântico.
Wall Street reagiu bem à megafusão, onde a notícia fez com que as cotações da Chrysler disparassem. Analistas americanos qualificaram esta união como ‘‘lógica’’ dentro do ponto de vista estratégico. Dentro dessa lógica, os títulos da empresa americana Chrysler registraram ontem, logo após o anúncio da fusão, um aumento de 18%. Para cada 52,68 dólares investidos, se ganhava 3,87 dólares.

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