Chrysler aposta na fusão com a Daimler Benz para crescer
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terça-feira, 07 de julho de 1998
Vânia Casado 
O anúncio da queda de 15% nas vendas de veículos novos no mercado nacional, em junho, não ofuscou o brilho das festividades de inauguração da fábrica da Chrysler do Brasil, ontem, em Campo Largo. O presidente mundial da montadora, Robert Eaton, aposta no crescimento da empresa no Brasil nos próximos anos a uma taxa média de 6% para aumentar o faturamento.
A previsão da multinacional, que vai fabricar pela primeira vez a picape Dodge Dakota fora dos Estados Unidos, é ocupar 20% do mercado dessa modalidade até 1999. Para isso, a empresa está de olho no mercado do Mercosul e América Latina, que representa uma das três áreas no mundo que tem mercado potencial. As outras regiões são o Leste Europeu e depois a Ásia, após superar sua crise econômica, avaliou Eaton.
Mesmo reconhecendo que o mercado automotivo não está em boa fase, ainda reflexo da crise asiática, a expectativa da montadora para esse ano é faturar US$ 750 milhões entre a venda da picape Dodge Dakota e comercialização de veículos importados, no mercado interno. No ano passado, quando a multinacional operava somente com veículos importados, o faturamento alcançou R$ 450 milhões. Eaton acredita que o faturamento da empresa esse ano será deficitário em relação à expectativa, em decorrência da queda nas vendas dos automóveis, mas lembra que os planos da montadora foram feitos para o longo prazo e que ele acredita no desenvolvimento do país. Não é o fato de estarmos transitando pela parte inferior da curva, por força da crise asiática, que vamos mudar os planos, disse.
Para Eaton, a decisão da Chrysler de se instalar na América do Sul faz parte de uma estratégia de crescimento da empresa a nível mundial. Ele frisou que a montadora ainda é muito pequena, mas certamente vai se firmar como uma das mais fortes em todo o mundo. Para isso aposta na fusão com a Daimler Benz, que deverá se concretizar no último trimestre de 1998, para crescer vigorosamente. Eaton não quis fazer muitos comentários a respeito da fusão, alegando que muitas informações ainda são sigilosas, mas antecipou que o resultado certamente vai mexer com o mercado automotivo mundial no primeiro trimestre de 1999.
Eaton descartou a possibilidade da Chrysler ficar em posição minoritária na fusão com a Daimler Benz, porque a empresa se fortaleceu economicamente. Segundo ele, depois que a montadora atravessou uma fase difícil que quase a levou à falência entre 1979 e 1980, a empresa se reestruturou e hoje conta com um caixa de US$ 8 bilhões.Com a fusão, esse caixa vai passar dos dois dígitos de bilhões de dólares, se consolidando como uma das montadoras mais fortes, entre as poucas que deverão sobreviver em todo o mundo nos próximos cinco anos, prevê. Até lá, a produção excedente de veículos será eliminada, devendo ocorrer um ajuste entre entre a produção e a demanda.
Além disso, Eaton destacou que a Chrysler está investindo US$ 500 milhões na Tritec, joint venture da Chrysler com a BMW, para a fabricação de motores. A nova empresa também será instalada em Campo Largo e terá capacidade para produzir 400 mil motores de 1.4 e 1.6 litro. Segundo ele, em dois anos, a união de esforços da joint venture vai permtir a exportação de motores para as fábricas da Chrysler nos Estados Unidos, Reino Unido e México.
Na fábrica de Campo Largo, que terá capacidade para montar 12.000 veículos até o final do ano, deverão ser montados inicialmente 5.000 veículos no segundo semestre. Eaton afirmou que deverá demorar um pouco até a fábrica utilizar a capacidade total que prevê a produção de 40.000 veículos em dois turnos. Ele informou que a planta industrial permite duplicar essa capacidade de produção, a longo prazo.
Pelo fato de ainda ter uma estrutura pequena em termos de montadora, o presidente da Chrysler no Brasil, Dennis Kelly, não acredita que a recessão da economia vá provocar quedas nas vendas. Ele disse que a comercialização de veículos importados da Chrysler vem em rítmo crescente, com a venda de 2.000 unidades em 1996, 10 mil unidades em 1997 e a previsão para 1998 é vender 18.000 unidades entre veículos produzidos no Paraná e importados.


