A gestão pública de Londrina passará por um processo de modernização. A iniciativa é do empresariado local, que lançou na quinta-feira à noite o Movimento Londrina Competitiva. O objetivo é garantir eficiência à máquina pública por meio do equilíbrio entre despesas e receitas sem promover corte de pessoal ou aumento de impostos. Para isso foi firmada parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MDC), fundado pelo empresário Jorge Gerdau Johanpeter (presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau), que participou do lançamento do programa, no Buffet Planalto. Mais de 400 pessoas compareceram.
Com treinamentos e reuniões, a proposta é disseminar entre os funcionários municipais a ideia da gestão eficiente, o que é traduzida em incremento da arrecadação, aumento da capacidade de investimentos e melhora da qualidade dos serviços públicos prestados à população. O programa é desenvolvido por uma empresa de consultoria parceira do MDC, tem duração de 17 meses e custo de cerca de R$ 2,5 milhões, que é bancado pelos empresários. O retorno previsto é uma economia de cerca de R$ 35 milhões aos cofres municipais, valor que segundo o MDC poderá dobrar. O movimento conta com uma comissão organizadora formada por 12 empresários da cidade de diversos segmentos.
Durante o lançamento do evento foram arrecadados cerca de R$ 2,2 milhões. Os trabalhos devem ser inicados no próximo mês. ''Temos que fazer a diferença, temos que iniciar um círculo virtuoso de desenvolvimento. Os recursos públicos são escassos. A iniciativa privada tem capacidade empreendedora e é competitiva, queremos levar essa experiência ao setor público, que não tem essa cultura'', disse Gerdau. O MDC é constituído como uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) e, por isso, 2% das doações podem ser deduzidas do imposto de renda desde que a empresa esteja enquadrada no regime de lucro presumido.
O MDC foi fundado em 2003 e, desde então, já atendeu mais de 20 municípios brasileiros e 10 Estados, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul; no Paraná, Curitiba já implantou o programa. Dados apresentados ontem apontam que as gestões atendidas tiveram ganho de receita de R$ 11,8 bilhões contra investimentos de R$ 70,5 milhões; a relação custo X benefício é de 0,6%. ''A proposta é que os funcionários municipais incorporem os conceitos da gestão eficiente. Isso será um ativo da Prefeitura e da sociedade local, há a transferência do conhecimento'', disse Cláudio Gastal, diretor-presidente do MDC.
Depois da identificação dos problemas enfrentados pela Prefeitura será preparada uma base de dados para atuação em duas frentes: receitas e despesas. A partir daí tem início o reajuste fiscal com o aumento da capacidade de investimento. Os empresários doadores receberão balanços mensais do desenvolvimento do projeto e terão agendadas reuniões trimestrais com o prefeito e o secretariado para prestação de contas. ''Trabalhamos com metas e resultados. Implantamos uma nova relação público-privadao'', afirmou Gastal.
Segundo o prefeito Barbosa Neto (PDT), que participou do evento, o orçamento municipal é de cerca de R$ 700 milhões. ''Deste total não sobram nem 1% para investimentos em obras de infraestrutura. Os recursos que temos conseguido são através de convênios com os governos federal e estadual'', observou. Por isso, segundo o prefeito, a administração pública precisa da ''expertise'' da iniciativa privada que tem como referência uma empresa de projeção mundial, disse referindo-se à Gerdau. Na ocasião, ele disse que não aumentará nenhum imposto e que haverá apenas a correção da inflação.
Para o empresário Flávio Menegheti, representante da comissão organizadora, a proposta foi resgatar o ''espírito comunitário'' presente na cidade que, por meio de mobilizações da comunidade, conseguiu implantar entidades importantes como o Iapar, a UEL e a Embrapa. ''É uma nova dinâmina para mobilizar a cidade. Estamos em um momento único da nossa história recente'', comentou.

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