A demanda por microcomputadores no Brasil caiu entre 40% e 50% nas últimas três semanas, segundo o diretor-geral da Intel para a América Latina, Christian Morales. Essa queda deve persistir por dois ou três meses em decorrência da alta dos equipamentos, que têm cerca de 95% de insumos importados.
O diretor-comercial da Microtec, Paulo Alouche, admitiu uma elevação de 40% nos preços dos micros. Um equipamento multimídia que custava R$ 1,4 mil passou para R$ 2 mil este mês. O segmento de varejo representa atualmente 15% do mercado brasileiro de micros.
A Intel e a Microtec doaram ontem 30 micros Pentium de última geração ao projeto Clicar, para educação de meninos de rua, da Estação Ciência da Universidade de São Paulo. Morales afirmou que todos os programas de educação e projetos de marketing da Intel no Brasil serão mantidos este ano, apesar da crise. Ele previu que o mercado doméstico deve crescer de 5% a 10% em 1999, muito menos que a média de 20% dos últimos anos.
Já a Microtec está reavaliando as projeções de faturamento para 1999 em decorrência da desvalorização do real. A empresa, subsidiária da americana Vitech, teve receita de US$ 190 milhões em 1998. Alouche avaliou que o impacto negativo da desvalorização do real no segmento de informática será apenas de curto prazo, pelos próximos três meses, seguido de recuperação no segundo semestre.
A Microtec vai aproveitar a desvalorização do real para iniciar a atividade exportadora. ‘‘Existe uma forte intenção da empresa de atuar no Mercosul’’, declarou. Mas os investimentos estão temporariamente suspensos. Segundo maior fabricante de micros no Brasil, a Microtec adotou no final do ano passado uma nova estratégia de negócios, promovendo a venda de soluções completas de informática.

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