São Paulo - Os chineses não pretendem romper contratos com os fornecedores de soja brasileira, mas renegociar prazos de entrega da mercadoria. A afirmação é da corretora Chao En Hung, que integra comitiva empresarial formada pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e pelo governo de Mato Grosso para acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita oficial à China. Ela falou à Agência Estado por telefone, de Pequim.
De acordo com ela, além das restrições de crédito impostas pela política de desaceleração econômica induzida pelo governo chinês, o preço alto da soja tem corroído as margens da indústria local. Muitas estão à beira da falência. ''As indústrias compram o grão pelo preço de Chicago, enquanto o preço interno do farelo e do óleo é controlado pelo governo e não cobre mais o custo da matéria-prima'', explicou.
Chao garante que o pool de esmagadoras chinesas formado para partilhar estoques e reduzir importações não tem o propósito de romper contratos, mas renegociar condições com os fornecedores. ''Os importadores pagam 10% do valor da mercadoria na assinatura do contrato, e 90% na entrega. O que as indústrias pretendem é renegociar prazos para entrega porque não têm dinheiro para honrar os 90% agora. A intenção, por exemplo, é adiar uma entrega de outubro para dezembro'', afirma. Chao diz não acreditar que os chineses estariam utilizando o episódio da devolução de um navio com resíduo de fungicida para tirar algum tipo de vantagem.
No sábado, Chao e o governador de Mato Grosso Blairo Maggi (que também preside a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais - Anec), visitam o porto de Tianjing para averiguar a qualidade de soja brasileira durante o desembarque.

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