Chineses prejudicam indústria da louça
Curitiba - Testes realizados por laboratórios certificados pelo Inmetro com peças de porcelana chinesa apontaram que estes produtos contêm elevados teores de chumbo na tinta utilizada para decorar os produtos. Os exames foram feitos no segundo semestre do ano passado a pedido dos Sindicatos das Indústrias de Cerâmicas e Porcelanas dos Estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foi comunicada, mas até agora ainda não tomou nenhuma medida sobre o assunto.
O presidente do Sindilouça-PR, José Canisso, disse que o setor quer que a Anvisa cobre o certificado de isenção de chumbo ou, pelo menos, que os produtos tenham, no máximo, 0,9 por decímetro quadrado de chumbo. Segundo os testes realizados, a porcelana chinesa chega a ter 1,5 a 3 por decímetro quadrado de chumbo.
Segundo ele, os chineses fazem a queima das peças com temperaturas mais baixas, o que mantém o chumbo na peça. ''O organismo não expele o chumbo e, quando o prato é levado, joga o chumbo no meio ambiente'', explicou.
As peças nacionais passam por três fornos e são queimadas em temperaturas que chegam a 1.400 graus Celsius, processo que elimina todos os resíduos, mas também eleva o custo de produção. A porcenala chinesa, pelos dados técnicos obtidos, não deve passar pelo mesmo processo. Possivelmente, passa por mono-queima, com temperaturas inferiores que não eliminam os resíduos tóxicos.
Os sindicatos nacionais da indústria de louça pretendem lançar um selo de qualidade como forma de neutralizar a concorrência chinesa.
A Anvisa informou que, os laudos de laboratório apresentados pelos sindicatos do setor chegaram à agência no dia 7 de maio deste ano. Com base nestes documentos, a Anvisa elaborou um parecer técnico. Este documento apontou que, em razão de falhas metodológicas na análise, os dados apresentados pelo Sindilouça foram insuficientes para fundamentar um parecer técnico em relação às alegações de inconformidade do material sob suspeita.
De acordo com a agência, as principais falhas foram: não identificação do laboratório que realizou a análise do material coletado; falta de informações sobre o plano amostral utilizado sem data e local de coleta; 50% das unidades amostrais apresentaram teores de migração do chumbo acima do permitido pelo regulamento técnico.
A Anvisa informou que vai elaborar uma proposta de inclusão de revisão e atualização do regulamento técnico sobre embalagens e equipamentos de vidro e cerâmica em contato com alimentos no Mercosul. A agência também estuda a possibilidade de, no caso de controle de importação de embalagens e equipamentos de vidro e cerâmica em contato com alimentos, sistematizar a exigência de laudo de análise, quanto a determinação de limites de migração específica de metais pesados (cádmio e chumbo). Esclareceu ainda que encaminhou resposta ao Sindilouça em junho de 2008.





