Chineses: parceiros ou concorrentes?
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sexta-feira, 08 de abril de 2011
Andrea Bertoldi e Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
A visita da comitiva empresarial brasileira chefiada pela presidente Dilma Rousseff à China, na próxima semana, confere ainda mais importância nas relações comerciais entre Brasil e esta potência asiática, que já é a segunda economia mundial, cresce na estratosférica média de 10% ao ano e tem uma população não menos importante de 1,3 billhão de pessoas. Junto com a alta cúpula da presidência viajam também empresários paranaenses. Nada por acaso, já que a China é hoje o principal parceiro comercial do País e do Estado, sobretudo no agronegócio.
Dessa forma, não é espanto nenhum que o dragão chinês desperte o interesse de empresários daqui que buscam expandir ainda mais o fluxo comercial (importações e exportações) entre os dois países. Os negócios bilaterais têm crescido 47,5%, em média, ao ano. Tanto que pularam de US$ 9 bilhões, em 2004, para US$ 56 bilhões, no ano passado, de acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China. Em decorrência desse crescimento, a China é hoje o principal parceiro comercial do País e um dos maiores responsáveis pela entrada de investimento estrangeiro direto.
No Paraná, a situação não é diferente. Dados do Sistema Fiep revelam que a China também já é o principal parceiro comercial do Estado, posição até pouco tempo ocupada pela Argentina. Somente no primeiro bimestre de 2011, o fluxo comercial PR-China foi de US$ 541 milhões, o que representa 12,58% de todo fluxo estadual, que foi de US$ 4,3 bilhões. Mas, enquanto o Paraná exporta principalmente commodities, a China vende produtos com maior valor agregado como tecidos e confecções, equipamentos e componentes eletrônicos. Realidade que se extende aos demais estados brasileiros.
Justamente por este motivo, para alguns setores da economia nacional, a China é vista como vilã e concorrente desleal devido ao preço baixo dos produtos que fabrica e desova mundo afora. Prova disso, foi o aumento das exportações dos chineses para o mundo que saltaram de US$ 18 bilhões em 1980 para US$ 1,5 trilhão em 2010. No mesmo período, o Brasil teve um aumento de exportações para o mundo de US$ 19 bilhões para US$ 202 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O lado bom da história, entretanto, é que a balança comercial ainda está favorável ao Brasil. Em 2010, a China exportou US$ 25,590 bilhões para o Brasil. No ano passado, os brasileiros venderam U$ 30,780 bilhões para os chineses. ''Existe um clamor geral no mundo de que a China é predatória e não respeita as regras quando entra nos demais países'', disse o consultor Elias Antunes, que morou por 12 anos na Ásia e já foi mais de 80 vezes à China a trabalho, inclusive acompanhando missões empresariais.
O especialista destacou que o Brasil cobra impostos e juros altos, tem burocracia com contabilidade, além do custo indireto da mão de obra. ''Isso tudo acaba sendo um grande estímulo para o produto chinês entrar no Brasil.'' Para ele, contudo, há formas de enfrentar esta competição, como conhecer as fraquezas da indústria brasileira, os pontos fortes do concorrente e rever a infraestrutura do Brasil que é deficiente para escoar a produção. ''Os nossos portos são uma vergonha. Nos últimos 20 anos, a China instalou uma infraestrutura logística de primeiro mundo em rodovias, ferrovias e portos'', disse. (Com Agência Brasil)


