Chineses devem implantar fábrica na RMC em 2012
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
Uma fábrica chinesa de caminhões da marca Sinotruk deve começar a ser construída na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) no próximo ano. A empresa já possui um terreno de 275 mil metros quadrados na Capital, onde pretendia instalar uma planta a partir de 2015. O plano de antecipação foi anunciado ontem em entrevista coletiva no 18º Salão Internacional do Transporte (Fenatran), no Anhembi, em São Paulo.
O início das obras já no próximo ano depende de uma rodada de negociação com o governo federal que a Sinotruk fará no início de novembro. Há ainda a possibilidade de a empresa trocar o terreno por outro maior, mas dentro da RMC. As informações foram prestadas pelo diretor geral da montadora no País, Joel Anderson, com a presença de diretores chineses. O valor previsto para o investimento não foi divulgado. ''Nosso projeto de fábrica no Brasil é hoje, é agora, não mais em 2015'', disse o diretor.
No Brasil, quem representa a marca é a importadora curitibana Elecsonic (Sinotruk Brasil). Localizada em Campina Grande do Sul (RMC), a empresa iniciou suas operações no País em dezembro de 2008. Os primeiros caminhões (Howo 380) começaram a ser comercializados em abril de 2010. No ano passado foram emplacadas 251 unidades e, neste ano, 650 (até setembro).
''Com cabine projetada por estilistas italianos, o Howo foi muito bem aceito no mercado brasileiro'', afirma Anderson. Otimista em relação à conversa que terá em Brasília e sem revelar o que pretende pleitear do governo, ele diz que irá divulgar em breve a data de ''implantação da pedra fundamental da obra''. Anderson ressaltou que, no Paraná, ''as conversas estão bem adiantadas'' com o governo Beto Richa.
A empresa já possui 42 concessionárias no Brasil, incluindo a de Londrina. E em abril de 2012 vai iniciar a importação de novos veículos, desta vez da linha A7. O IPI de 30% sobre os importados a partir de 16 de dezembro não amedronta a empresa. Segundo Anderson, o aumento terá de ser ''dividido'' entre a Sinotruk do Brasil e a matriz na China. E uma parte será repassada aos compradores. ''O impacto no preço deve ser em torno de 12%'', acredita.
Mesmo quando começar a fabricar no País, a Sinotruk não contará imediatamente com os mesmos benefícios das montadoras locais. Isso porque o atingimento dos 60% de componentes nacionais exigidos pela legislação brasileira deverá ser gradativo. ''Nenhuma fábrica consegue se implantar no País com esse nível de nacionalização'', ressalta.
A fábrica
A CNHTC (China National Heavy Duty Truck Corporation), conhecida mundialmente como Sinotruk, atua há mais de 75 anos no mercado de transporte rodoviário de cargas. O início das operações da fabricante chinesa foi na década de 30, quando produzia caminhões para utilização militar. Ela emprega 23 mil pessoas, sendo 3,5 mil engenheiros. Somente neste ano, a empresa já vendeu 219 mil caminhões, a grande maioria para o próprio mercado Chinês. Só para se ter uma ideia, no Brasil, todas as montadoras juntas comercializaram 129,7 mil unidades de janeiro a setembro.


