China vai à OMC contra sobretaxa dos EUA ao aço
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sexta-feira, 15 de março de 2002
Agência Estado 
Pequim Três meses após ser admitida na Organização Mundial do Comércio (OMC), a China solicitou ao órgão uma discussão sobre a decisão dos EUA de impor sobretaxas às importações de aço, na primeira queixa que o governo chinês apresenta à OMC.
O primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, fez duras críticas às tarifas em entrevista à imprensa em Pequim após o encerramento da assembléia anual do governo. Será que os EUA aceitariam se nós quiséssemos aumentar as tarifas de importação sobre a semente de soja em 30%?, perguntou.
A China representa o maior mercado para a semente de soja dos EUA, tendo adquirido o equivalente a US$ 1 bilhão da safra de soja norte-americana no ano passado. Estou preocupado com nossas siderúrgicas, da mesma forma que os líderes norte-americanos estão preocupados com seus agricultores, disse Rongji.
As siderúrgicas da China estão entre as mais afetadas pelas sobretaxas de até 30% impostas pelos EUA, que atingem também as produtoras de aço do Brasil, Japão, Coréia do Sul, Ucrânia e Rússia, entre outras.
Em sua queixa à OMC, a China pede que Washington estabeleça o lugar e a data das discussões, o mais rapidamente possível, afirma comunicado do Ministério de Comércio Exterior. A nota apresenta termos duros para classificar as medidas norte-americanas contra o aço importado. Essa decisão não apenas fere as normas da OMC, como também terá sério impacto sobre as exportações normais de aço da China para os EUA, o que provocará grandes prejuízos para as siderúrgicas.
Em fevereiro, a Comissão de Comércio Econômico da China afirmou que as siderúrgicas do país terão uma redução dos lucros, por causa das importações mais baratas este ano, o que diminuirá os preços locais do aço em cerca de 200 yuan (US$ 24,16) por t em relação a 2001.
O Japão também anunciou ontem que se prepara para apresentar sua reclamação à OMC na próxima quarta-feira, quando as tarifas entrarem em vigor.


