China recusa soja de mais 15 empresas
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segunda-feira, 14 de junho de 2004
Cláudia Trevisan<br>Agência Folha 
Pequim - O Ministério da Quarentena da China anunciou ontem a suspensão temporária da importação de soja de mais 15 empresas brasileiras, responsáveis pelo carregamento de dois navios que tiveram suas cargas recusadas pelas autoridades sanitárias, elevando a cinco o número de embarcações colocadas sob suspeita. Apesar da suspensão, o comunicado oficial ressalta que os carregamentos que já estão a caminho da China poderão ser desembarcados, desde que obedeçam às exigências sanitárias do país.
Os novos vetos chineses colocam o governo brasileiro em situação delicada. No início da crise da soja, o ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) culpou exportadores brasileiros ''gananciosos'' pela contaminação dos carregamentos e prometeu aos chineses maior fiscalização. Rodrigues julgou que essa reação fosse suficiente para acalmar a China, o que acabou não ocorrendo. A Embaixada do Brasil em Pequim não havia sido informada oficialmente da medida até a noite de ontem.
A China tem recusado a soja sob o argumento de que os carregamentos contêm sementes tratadas com o agrotóxico Carboxin, que dá uma coloração avermelhada ao produto e não é aceito para o consumo humano ou animal. Nenhuma das 15 empresas com carregamentos recusados havia sido atingida anteriormente.
Além dos cinco navios que foram recusados na China, há uma sexta embarcação, com carga da estatal China Tex, que voltou ao porto do Rio Grande, no Brasil, por estar sob suspeita de conter sementes tratadas com o agrotóxico Carboxin.
A China é o maior importador de soja do Brasil. Em 2003, comprou 6 milhões de toneladas. Os navios recusados têm, em média, 50 mil toneladas cada, num total de 300 mil toneladas rejeitadas se for incluído o navio que voltou ao Brasil.
A Coamo Agroindustrial Cooperativa, a maior cooperativa agropecuária da América Latina, que reúne 18,4 mil cooperados no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, informa, por meio da assessoria de imprensa, que não tem posição sobre a decisão chinesa. Isso porque a cooperativa não vende diretamente à China, mas por meio de ''tradings''. A Coamo aguarda o posicionamento das ''tradings''.


