Agenda reformista de Zhu Rongji volta ao centro político. País vai apressar reforma financeira
France PresseNA ERA GLOBALDai Xiagnlong, presidente do banco central da China, diz que país se prepara para a concorrência

James Kynge
De Pequim


O presidente do banco central da China, Dai Xianglong, prometeu ontem acelerar a reforma bancária e financeira em seu país. O objetivo é preparar a China para o aumento da concorrência estrangeira que surgirá quando o país aderir à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Xianglong afirmou que Pequim vai liberar gradualmente o regime de taxas de juros fixas e que irá promover iniciativas para ajudar a capitalizar os problemáticos bancos estatais. Suas declarações foram um sinal de que a agenda reformista do primeiro-ministro Zhu Rongji voltou ao centro da política chinesa, depois de ter sido deixada na ‘‘geladeira’’ durante o ano passado, enquanto Zhu se recuperava de uma série de atropelos políticos.
‘‘A liberalização das taxas de juros é a nossa meta final, mas teremos de atingir isso aos poucos’’, disse Xianglong. A China ampliará ao longo dos próximos dois anos a faixa de flutuação para as taxas de empréstimo e depósitos. Ela fica atualmente em 10% acima e abaixo do nível central fixado pelo Banco Popular da China, o banco central.
Os economistas dizem que uma liberalização desse tipo poderá ter o efeito de estimular os empréstimos ao setor privado, faminto por capital, porque permitirá que os bancos se ajustem a níveis diferenciados de risco de crédito. Xianglong também expôs suas idéias para a reforma dos ‘‘quatro grandes’’ bancos estatais antes da adesão à OMC, esperada para o final deste ano.
‘‘Os bancos terão de reduzir suas folhas de pagamentos e exercitar uma disciplina de crédito para se tornarem companhias acionárias’’, disse Xianglong. A transição rumo a essa forma de propriedade é vista pela maioria dos observadores como um preparativo para uma futura abertura do capital dos bancos.
Tradução de Paulo Migliacci

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