China pode investir no porto de Paranaguá
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terça-feira, 13 de julho de 2004
Evandro Fadel<br>Agência Estado 
Curitiba - Empresários chineses estão negociando com cooperativas paranaenses, por meio da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), a construção ou aquisição de silos próprios no Porto de Paranaguá, assim como financiamento para que os agricultores possam comprar fertilizantes ou troca desse insumo pela soja. A China é grande produtora de fertilizantes. Para dar continuidade às conversas iniciadas ontem em Curitiba, uma comitiva de produtores paranaenses deve visitar a China entre setembro e outubro.
De acordo com o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, que lidera a comitiva de sete presidentes e cinco gerentes de grandes empresas chinesas de beneficiamento de soja, a China possui uma reserva de US$ 500 bilhões. ''Em razão dessa grande reserva e do estágio de desenvolvimento econômico, o governo chinês encoraja as empresas a investirem mais no Brasil'', acentuou Tang.
Segundo ele, a relação entre os dois países somente vem crescendo nos últimos anos. Em 1999, o comércio bilateral entre Brasil e China era de US$ 1,5 bilhão, mesmo volume de 1985. No ano seguinte, subiu para US$ 2,3 bilhões e saltou para US$ 3,2 bilhões em 2001. Nesse ano, o Brasil conseguiu um superávit de US$ 600 milhões. Em 2002, o comércio entre os dois alcançou US$ 4,1 bilhões e o Brasil saiu com superávit de US$ 1 bilhão. No ano passado, foram US$ 8 bilhões e superávit brasileiro de US$ 2,3 bilhões. No primeiro trimestre deste ano, o superávit nacional foi de US$ 1 bilhão.
''A parceria estratégica e comercial com a China é uma das mais interessantes deste século'', afirmou Tang. ''O mundo inteiro olha com bastante atenção, muitos torcendo para não dar certo e outros olhando com certo grau de ciúmes.'' Segundo ele, os desencontros gerados pelo impedimento de desembarque de alguns navios de soja contaminada por sementes com fungicida já é coisa do passado. ''Mas se repetir, aí terá problemas mais graves'', advertiu.
No caso da soja, a China quase triplicou a importação do Brasil de 2001 para cá saindo de 3,1 milhões de toneladas para 8 milhões. Além do Brasil, os chineses compram volume igual dos Estados Unidos e da Argentina. Mas pode expandir a importação para até 30 milhões de toneladas anuais. ''A China não compra por opção, mas por necessidade'', disse Tang.
Segundo ele, os chineses entendem que a soja brasileira tem melhor qualidade que as de outros países. ''Foi confortante para os empresários a garantia do governador Roberto Requião de que o Porto de Paranaguá quer se tornar referência de qualidade'', afirmou. Eles almoçaram ontem com Requião.


