China pode cancelar compra de soja do Brasil
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terça-feira, 19 de março de 2013
Gabriela Mello<br>Agência Estado 
São Paulo - Rumores de que a China cancelaria compras de 2 milhões de toneladas de soja brasileira, que circulam no mercado desde a semana passada, ganharam força ontem com a notícia de que dez dos 12 navios contratados pela trading chinesa Sunrise para o período de janeiro a fevereiro não chegaram ao País. Participantes do setor e a entidade que representa os exportadores lembram, contudo, que o Brasil é um dos principais fornecedores da oleaginosa neste momento e consideram exagerado o volume que vem sendo cogitado.
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) confirma as dificuldades para embarcar a oleaginosa nos dois principais portos de escoamento. Em Santos, o atraso para o produto ser despachado chega a 30 dias e, em Paranaguá, 60 dias, afirma Sérgio Mendes, diretor executivo da Anec. "É um absurdo porque o custo é de US$ 20 mil a US$ 30 mil por dia que o navio fica parado, esperando para carregar", observou.
De acordo com ele, Paranaguá libera um navio a cada dois dias pelo corredor único de exportação. Em Santos, acrescentou Mendes, a liberação é mais rápida - três navios e meio a cada dois dias - porque os sete terminais são independentes e o clima não está chuvoso como no Paraná.
Apesar do congestionamento nos portos brasileiros, o diretor executivo da Anec avalia que a informação de que a trading chinesa pretende cancelar 2 milhões de toneladas de soja por causa dos atrasos é inconsistente. "Não cabem 2 milhões de toneladas em dez navios", disse Mendes, esclarecendo que cada embarcação comporta em média 60 mil toneladas. Ou seja, seriam necessários pelo menos 33 navios para carregar a quantidade.
Washington Oliveira Terra, operador da WA Corretora, de Maringá, considera a possibilidade de cancelamentos por parte da China, mas descarta um volume tão grande quanto 2 milhões de toneladas. "Se a China deixar de buscar soja no Brasil, vai buscar onde? Os Estados Unidos já não têm estoques para atender isso."
Para compensar os atrasos no embarque, os prêmios de exportação estão negativos nos portos brasileiros. Mendes, da Anec, calcula uma queda de US$ 18 por tonelada entre 15 de fevereiro e 15 de março no Porto de Paranaguá. "Sai do bolso do exportador mais US$ 18 por tonelada por causa da nossa matriz logística inadequada", afirmou. Conforme a associação, quase 53% da safra brasileira de grãos é transportada por rodovia, 36% por ferrovia e apenas 11% por hidrovia.


