Pequim - Pressionado pelo ritmo de crescimento da economia e o aumento do calor no verão, o governo de Pequim ordenou a suspensão temporária da operação de 6.400 indústrias instaladas na cidade, a maior parte delas de estatais. As empresas terão de interromper suas atividades por uma semana, durante a qual os empregados ficarão de folga. Essa é a mais radical medida adotada até agora por um órgão governamental para controlar o risco de falta de energia na China.
A decisão ocorre mesmo com a divulgação dos números da produção industrial, que apontaram para uma diminuição no ritmo de crescimento. Em junho, a produção aumentou 16,2%, contra 17,5% em maio e 19,1% em abril, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas da China.
O aumento de junho contribuiu para que a produção industrial crescesse 17,7% no período de janeiro a junho, na comparação anual, abaixo do aumento de 18,1% dos cinco primeiros meses de 2004. Junho foi o quinto mês de desaceleração da produção industrial chinesa, após o governo ter aplicado várias medidas para limitar os investimentos em setores como aço, alumínio e cimento, que estariam vivenciando uma fase de sobreaquecimento. Em 2003, a produção chinesa cresceu 17%, no ano.
A redução vai vigorar até o final de agosto, de acordo com uma escala fixada pelo governo. A partir de setembro, os trabalhadores terão de compensar as horas de folga que receberão agora.
Desde o início do ano, algumas regiões da China vêm enfrentando falta de energia decorrente do aumento da demanda. A possibilidade de um apagão foi um dos fatores que levaram o governo a adotar medidas para controlar o ritmo de crescimento da economia nos últimos meses. O temor é que o suprimento atual seja insuficiente para atender às necessidades das empresas.
No ano passado, o PIB chinês teve expansão de 9,1%, e nos primeiros quatro meses de 2004 o crescimento foi de 9,8%. A meta do governo para este ano é de expansão de 7%.
Segundo a agência de notícias oficial Xinhua, a atual crise energética é a mais séria da China desde a década de 80. Com o rápido crescimento, o país também enfrenta o risco de colapso no sistema de transporte, que opera no limite de sua capacidade e não consegue atender à demanda.
Antes de determinar a interrupção das atividades nas indústrias, o governo de Pequim já havia ordenado a limitação do uso de ar-condicionado em repartições públicas e lojas de departamento. Esses locais têm de desligar os aparelhos por uma hora depois de cada duas horas de utilização.
Os hotéis estavam incluídos na regra, mas foram retirados depois de protestos da indústria de turismo. Agora, poderão manter os aparelhos ligados o tempo todo, desde que a temperatura mínima não seja inferior a 26º C.
Outra preocupação do governo chinês é sobre os riscos de o aquecimento econômico gerar inflação e problemas para o setor bancário do país. Para evitar isso, os reguladores limitaram a quantidade de empréstimos e estão atentos para os números da inflação ao consumidor, que está limitada a 5% ao ano.
Caso a taxa ultrapasse esse valor, os chineses cogitam aumentar as taxas de juros pela primeira vez em nove anos. Mas os reguladores temem que a alta prejudique as empresas privadas, responsáveis pela absorção de milhares de trabalhadores demitidos pela reestruturação das estatais.

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