China é o segundo maior mercado para produtos brasileiros
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terça-feira, 03 de junho de 2003
Agência Estado 
Brasília - A China tornou-se o segundo maior mercado para produtos brasileiros, atrás apenas dos Estados Unidos. O país ultrapassou parceiros tradicionais, como a Holanda, a Argentina e a Alemanha, como resultado de uma mudança que vem sendo maturada pelo governo e por empresários brasileiros desde 2000, quando o mercado chinês transformou-se em um alvo prioritário no projeto nacional de expansão comercial. De janeiro a maio deste ano, as exportações do País para a China somaram US$ 1,774 bilhão, o que significa um aumento de 229,7% em relação a igual período do ano passado. O comércio do Brasil com a China resultou em US$ 1 bilhão do superávit total de US$ 8 bilhões acumulado nos cinco meses de 2003.
A expansão dos embarques, entretanto, se deve especialmente ao apetite voraz da indústria chinesa pelo minério de ferro e pelo complexo soja do Brasil - exatamente os dois produtos que encabeçam a pauta geral exportadora brasileira neste ano. Mas também foi alimentada pela garimpagem das oportunidades de negócios de lado a lado nos últimos três anos, lembra o embaixador Mário Vilalva, diretor-geral do Departamento de Promoção Comércial do Itamaraty.
De meados de 2000 ao final de 2002, a China foi o destino de 21 visitas de alto nível do governo brasileiro, algumas delas acompanhadas por empresários e rodadas de negócios. O Brasil, por sua vez, recebeu 24 missões chinesas no período.
Conjugados a esses contatos, pelo menos três fatos impulsionaram as vendas brasileiras. O primeiro foi a criação de uma joint venture entre a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e a siderúrgica chinesa Baogang, em novembro de 2001, batizada como Baovale. Esse negócio permitiu a elevação dos embarques de minério de ferro, mas também possibilitará a exploração conjunta do produto brasileiro para a exportação para os Estados Unidos e outros países.
Apesar de a China ser o maior produtor siderúrgico - o que explica também a necessidade de minério de ferro -, esse país não fabrica determinados tipos de aço demandados por sua indústria de transformação. O segundo fator é que, cientes dessa condição, usinas brasileiras vêm explorando esses nichos, com resultados expressivos nos embarques de laminados de ferro e aço.
O terceiro fator diz respeito ao aumento da rejeição do mercado chinês à soja transgênica, importada principalmente dos Estados Unidos, e à busca por fornecedores alternativos. Essa situação respondeu por boa parte da elevação de 3.224% nas exportações de soja em grãos do Brasil para a China entre janeiro e abril, em comparação com igual período de 2002. Esses embarques somaram US$ 298,289 milhões.
A parceria entre a Embraer e a fabricante chinesa de aviões, a AVIC 2, no início de 2002, também deverá proporcionar negócios de peso para a balança comercial nos próximos anos.


