Genebra - Até 2030, a China e a Índia serão os maiores mercados consumidores do mundo, com um poder de compra cinco vezes maior que o atual mercado dos Estados Unidos. As previsões são dos analistas do UBS, um dos maiores bancos do mundo, e que apontam que as duas economias emergentes, juntas, podem ser os principais destinos das exportações brasileiras nos próximos 25 anos.
China e a Índia foram sempre grandes economias. No ano de 1500, por exemplo, representavam 50% do PIB mundial. Mas essa participação caiu para apenas 8% em 1973. A recuperação, pelo menos no caso de Pequim, começou a partir do final dos anos 70 e o país cresceu em média 9% ao ano desde então. No caso da Índia, ainda que o desempenho positivo tenha vindo apenas nos últimos anos, os índices de crescimento são de 8% desde 2002. Nos últimos 25 anos, portanto, as economias da China e da Índia dobraram de tamanho e representam 16% do PIB mundial, com a diferença de que, agora, estão integradas na economia mundial com pelo menos uma parte de seus 2,3 bilhões de cidadãos.
Segundo o estudo, publicado ontem, a renda per capita dos chineses, que hoje é de US$ 1,1 mil, tende a aumentar em até cinco vezes até 2030, ainda que continue abaixo dos padrões dos países ricos. Na Índia, a renda per capta passará dos atuais US$ 600,00 para US$ 2,8 mil. Em termos de poder de compra, esses valores equivalem a US$ 19 mil na China e US$ 14,5 mil na Índia.
Se a estimativa for confirmada, 10% dos chineses, ou seja 130 milhões de pessoas, estarão consumindo nos mesmos padrões atuais dos Estados Unidos em 18 anos. Como consequência, uma das primeiras mudanças será nos hábitos alimentares da população. Segundo o UBS, o consumo de alimentos irá se multiplicar por quatro na China e irá dobrar na Índia.
Ainda que a maioria dos produtos sejam fornecidos por uma agricultura local mais eficiente nos próximos anos, os analistas garantem que essa mudança no padrão de consumo irá exigir maiores importações de alimentos pelos dois gigantes asiáticos.
Segundo o editor do estudo, Oussama Himani, o Brasil pode ser um dos grandes beneficiados com esse crescimento e poderá multiplicar suas exportações de produtos agrícolas.''Os chineses sabem que vão precisar importar mais. Por isso, já estão comprando até mesmo terras na Austrália para ter garantido acesso a carnes'', explica Himani.
No caso das exportações brasileiras, o analista do UBS acredita que a China e a Índia estarão disputando o primeiro lugar nos destinos dos produtos nacionais em alguns anos com Europa e Estados Unidos, que hoje consomem mais de 40% das exportações nacionais.
Para que a China e Índia se tornem os maiores mercados do mundo, o UBS prevê um crescimento do PIB desses países entre 5% e 7% ao ano até 2030. A Índia teria um crescimento médio de 7% ao ano até o final da década. Já a China teria um desempenho inferior, mas ainda assim acima de 6% e mesmo da média mundial durante os próximos 25 anos.

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