China dá sinais de desaceleração
A economia chinesa, que escapou ilesa dos efeitos mais drásticos da crise monetária na Ásia, começa a dar novos sinais de desaceleração. O governo do país mais populoso do mundo divulgou ontem que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 7% no primeiro semestre.
É um índice alto, mas menor que o crescimento verificado no mesmo período de 1997, de 8,8%. Além disso, está abaixo das previsões oficiais para 1998, de 8%, e indica uma clara tendência de redução no ritmo. O governo divulgou ainda que os investimentos diretos no país - alavanca do crescimento vertiginoso da economia chinesa nos últimos 20 anos - caiu 1,3% no primeiro semestre.
A meta oficial de crescimento da economia para 1998, de 8%, foi elaborada pessoalmente pelo primeiro-ministro Zhu Rongji - que a divulgou aos investidores internacionais como um sinal de que o país está caminhando bem apesar da tragédia que se abateu sobre as economias vizinhas. Rongji argumentou que somente um crescimento de 8% seria capaz de fazer com que a economia consiga absorver os milhões de empregados que estão sendo demitidos pelas empresas estatais.
Investidores acham que o governo chinês irá reconhecer em breve que a previsão de crescimento está exagerada. Eles acreditam que, apesar de ter escapado da crise financeira, a China sofrerá cada vez mais a redução em suas exportações e nos investimentos diretos, como resultado da turbulência na região.
Eles acham também que, dada a conhecida falta de confiabilidade das estatísticas chinesas, se o governo reconheceu um crescimento de 7% é porque o crescimento real deve ter sido pelo menos dois pontos percentuais menor que o anunciado. A agência oficial de estatística, que divulgou os dados, culpou as enchentes no país, que teriam reduzido em 11% a produção agrícola no primeiro semestre. Manter o ritmo de crescimento nessas condições é muito difícil, disse Qiu Xiaohua, economista-chefe da agência.
As exportações chinesas cresceram 7,6% nos seis primeiros meses, atingindo US$ 87 bilhões. As reservas chinesas eram de US$ 140 bilhões no final de junho.Stephen Shaver/France PresseDesafioPara absorver milhões de empregados demitidos pelas estatais chinesas, país precisa crescer 8%Agência Folha





