Nelson ToniattiViaja em maio para a China a primeira missão técnica da Copel que realizará estudos de viabilidade para a construção da hidrelétrica de Shuibuya, a maior em sua categoria no mundo, com barragem de enrocamento de 230 metros de altura. O contrato assinado entre a Copel e a Hubei Corporation terá duração de nove meses e será desenvolvido em três etapas. Nas duas primeiras viagens os técnicos recolherão informações e na última apresentarão a conclusão do estudo.
O contrato assinado dia 10 com a Hubei Qingjiang Hydroeletric Development Liability Corporation, no valor de US$ 800 mil, além de marcar a entrada da empresa paranaense na China, é ‘‘fruto do reconhecimento internacional da engenharia brasileira, especialmente da Copel, na construção de usinas hidrelétricas de grande porte’’, diz o engenheiro Nelson Buhr Toniatti, da Diretoria de Engenharia e Construção da Copel. ‘‘A empresa domina conhecimentos, técnicas e experiência em barragens por enroacamento com face de concreto, acumulada na construção das usinas de Governador Bento Munhoz da Rocha Netto (Foz do Areia) e Segredo’’, explica.
A empresa também comemora a rapidez com que conseguiu assinar o contrato com os chineses - as conversações começaram em maio do ano passado -, pois ‘‘Shuibuya é uma das cinco flores da hidrogeração da China’’, nas palavras do cônsul-geral chinês no Brasil, Li Yei Yi. E a China é reconhecidamente um país conservador, de processo decisório complexo e portanto lento, que há 17 anos tenta uma aproximação com o Brasil, tendo enviado nesse período 78 missões técnicas para cá, sem nenhum resultado comercial.
O entusiasmo da Copel também se justifica pelo fato de a China ser um grande mercado de energia elétrica, cuja demanda cresce o equivalente a uma Itaipu e meia por ano - ou cerca de 17 mil MW.
Na primeira viagem do contrato, geólogos e engenheiros farão um levantamento geotécnico da área em que será construída a hidrelétrica, para a análise da localização e zoneamento ideais da barragem. Avaliarão também os estudos e ensaios já realizados pelos chineses.
A segunda missão técnica viajará em junho para análise de concreto. Os engenheiros da Copel farão verificação, estudos e recomendações sobre dosagens, aditivos químicos e resistência a fadiga, deformações e fissuras. Essa segunda etapa envolve ainda estudos sobre materiais vedantes e alternativas de sistemas de vedação. Em outubro, na última viagem, os técnicos apresentarão aos chineses a conclusão final com as recomendações do estudo de viabilidade.

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