A liberação pelo governo chinês de três variedades de soja geneticamente modificadas deve aquecer o agronegócio no País, além de incrementar as exportações da próxima safra para o oriente. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Antônio Andrade, que esteve em visita oficial à China, confirmou ontem a aprovação das variedades de soja Intacta RR2 PRO, CV127 e Liberty Link. A liberação era aguardada com ansiedade por produtores de todo o País, pelas megaempresas que fomentam as tecnologias do setor e diversas entidades.
As variedades devem incrementar também a produção e produtividade da oleaginosa, já que contam com os genes combinados, ou seja, são resistentes a herbicidas e também insetos. No Brasil, a expectativa é que as lavouras com este tipo de tecnologia sofram um "boom" nas próximas safras. Atualmente, apenas 5,5 milhões de hectares foram plantados com essas sementes, valor 10% maior do que no ano passado. Boa parte desta área ainda é de lavouras experimentais. A aprovação do governo chinês era essencial para o incremento dos números.
Andrade, que fez o pedido da liberação, agradeceu a decisão das autoridades locais e aproveitou para esclarecer ao ministro da Agricultura da China, Han Changfu, que a agricultura tropical é "mais sujeita ao ataque de pragas e ervas daninhas. Por essa razão é mais dependente da contínua introdução de novas tecnologias".
Ele lembrou que a aprovação torna-se ainda mais significativa em função da propagação da lagarta Helicoverpa armigera em vários estados. As novas sementes aprovadas pelo governo chinês já tinham seu uso autorizado no Brasil e em outros mercados, mas os produtores de soja e a empresa detentora da tecnologia (neste caso, a Monsanto) estavam aguardando a aprovação chinesa, pelo fato de a China ser o principal mercado comprador da soja brasileira. "Essa decisão era ansiosamente aguardada pelos sojicultores brasileiros, visto que as empresas têm poucas semanas para embalar e distribuir o produto, a tempo do plantio da nova safra", destacou Andrade.
Em abril de 2013, o Brasil exportou 7,154 milhões de toneladas de soja em grãos, equivalente a US$ 3,797 bilhões. Deste total, 5,604 milhões de toneladas (US$ 2,966 bilhões) tiveram a China como destino. A FOLHA tentou contato com o Mapa durante todo o dia de ontem para tratar do assunto, mas até o fechamento desta edição nenhum dos secretários do ministério pode falar com a reportagem. (Com informações do Mapa)

Cooperação
O ministro Antônio Andrade propôs a Han Changfu o aumento da cooperação entre a Embrapa e a Academia de Ciências Agrárias da China no campo da biotecnologia e falou sobre as oportunidades de investimento para empresas chinesas nas novas fronteiras agrícolas do Brasil, principalmente no Mato Grosso e na região conhecida como Matopiba (Maranhão, Tocatins, Piauí e Bahia).
A região traz novas opções de escoamento da produção no sentido norte, por hidrovias e ferrovias, viabilizadas a partir da recente aprovação da Medida Provisória dos Portos. Esses temas serão novamente abordados por ocasião da visita do vice-ministro da Agricultura da China ao Brasil, nos dias 20, 21 e 22 deste mês.

mockup