O mundo está com o olhos voltados para a China. País antes desconhecido e de cultura milenar, hoje os chineses exercem um grande poder de atração de investimentos e de negócios. Além de ser o maior exportador de produtos manufaturados, a China também é um dos maiores importadores mundiais e compra de quase todos os outros Países. A explicação é o enorme mercado consumidor, formado por 1,33 bilhões de habitantes, número que corresponde a 22% da população mundial. Além disso, há a industrialização, aspecto forte no País.
  ‘‘A China é o País com maior crescimento do mundo, a economia tem crescido na casa de dois dígitos há dez anos’’, diz Paul Liu, presidente executivo da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico (CBCDE), instrumento mantido pela iniciativa privada chinesa com objetivo de fomentar negócios entre os dois países. Ele esteve recentemente na Associação Comercial e Industrial de Londrina para ministrar palestra sobre oportunidades de negócios com os chineses. Embora as importações tenham crescido naquele País, a relação entre exportações e importações ainda é pequena. Enquanto as vendas externas rendem US$ 1,22 trilhão ao País, as importações somam US$ 956 bilhões (veja quadro).
  ‘‘A China oferece muitas oportunidades principalmente aos jovens, que têm procurado o País para aprender uma terceira língua. Hoje saber inglês é óbvio, chinês é o diferencial’’, avalia Liu. Segundo ele, a procura por intercâmbios culturais têm crescido entre os jovens brasileiros e por descendentes que querem retornar ao país de origem para estudar. ‘‘Muitos tomam a China como uma segunda pátria, porque tem uma cultura dinâmica, apesar de milenar. Estes estudantes descobrem uma nova China e optam por ficar’’, diz.
  Quanto aos negócios, a dica de Liu é entender bem a cultura comercial chinesa antes de iniciar qualquer negociação. ‘‘A concorrência é grande e não há espaço para amadores. Para ganhar o mercado chinês a empresa deve ter algum diferencial’’, comenta. Na sua avaliação, os produtos brasileiros têm peculiaridades que agradam aos chineses devido às próprias características do Brasil, de país tropical, multiracial e com riquezas étnicas. ‘‘Mas os chineses não conhecem os produtos brasileiros porque muitos deles entram no País como se fossem estrangeiros’’, informa.
  Por isso, na sua avaliação a vocação exportadora do Brasil está no agronegócio. ‘‘Não adianta querer concorrer com produtos manufaturados, a China é a fábrica do mundo. Talvez a solução esteja na industrialização de produtos do agronegócio, na tecnologia de alimentos’’, comenta. Ele acrescenta que as empresas devem passar por um longo processo de análise, estudos e projetos para não ter surpresas desagradáveis e não fracassar por falta de conhecimento.
  ‘‘É preciso insistência no projeto e muitos não têm paciência com o tempo de amadurecimento para o sucesso’’, observa o presidente executivo da CBCDE. Ele lembra que todas as coisas têm o lado positivo e o negativo e que pré-julgamentos não são benéficos. ‘‘A China também traz boas oportunidades porque tem um grande mercado consumidor. Os empresários brasileiros podem vender mercadorias que têm a cara do Brasil, com produtos e design próprios porque a China não vai conseguir copiar’’, afirma.

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