O presidente do Chile, Ricardo Lagos, em acordo com os presidentes dos quatro países-membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), decidiu suspender o calendário de integração do seu país ao bloco econômico. O calendário inicial previa a plena adesão do Chile ao Mercosul até o final de 2002.
O acerto foi feito durante jantar na noite de sábado, após o término da 10ª Cúpula Ibero-Americana, realizada no Panamá. Lagos propôs que propôs que a incorporação de seu país ao Mercosul seja feita gradualmente, sem data predeterminada.
O embaixador especial do Brasil para o Mercosul, José Botafogo Gonçalves, que participou do jantar, disse ontem que o adiamento deveu-se ao ‘‘ritmo diferente’’ da economia chilena e a problemas e incógnitas externas. ‘‘Faltam elementos. Se fixássemos agora uma data, ela se tornaria fictícia. Vamos aguardar a política de comércio mundial’’, afirmou.
Entre as incógnitas, está o futuro da Alca, a Área de Livre Comércio das Américas, prevista para 2005. Segundo Gonçalves, há dificuldades de conduzir as negociações de integração sem saber quem será o futuro presidente dos Estados Unidos, qual será a sua real política para a América Latina e a efetiva vontade dele de estabelecer a zona de livre comércio.
Botafogo disse que o processo de negociação do Mercosul e do Chile para integrarem a Alca, que está em curso, servirá para que os dois lados conheçam melhor os interesses de cada um. ‘‘Vamos ver onde há coincidências ou não.’’ Segundo o embaixador, os dois lados têm interesse em ter acesso ao mercado norte-americano, que tem uma ‘‘significativa proteção’’, especialmente no setor agropecuário. O Chile mantém sua pauta de exportações baseada especialmente em produtos desse setor.
O embaixador disse ainda que na próxima reunião do Mercosul, em Florianópolis, nos dias 14 e 15 de dezembro, será assinado documento que regulamentará a continuidade das negociações da adesão do Chile ao bloco econômico, não somente na área tarifária, mas também na área macroeconômica. Segundo ele, a integração não-comercial -como saúde, educação e infra-estrutura-também se dará paralelamente.
Botafogo disse ainda que a crise econômica argentina não deve afetar o Mercosul nesse primeiro momento, apesar de a Argentina e o Brasil serem os maiores mercados dentre os integrantes do bloco. Segundo ele, um problema conjuntural não atrapalha as metas de trabalho de longo prazo do grupo.
O presidente Fernando Henrique Cardoso não manteve reunião privada com o presidente da Argentina, Fernando de La Rúa, conforme se previa. Segundo sua assessoria diplomática, as conversas entre FHC e seu colega argentino ocorreram durante os intervalos das reuniões Cúpula Ibero-Americana e seu conteúdo não foi divulgado.

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