Chile baixa pacote e peso cai 2,4%
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sexta-feira, 26 de junho de 1998
Agência Estado/Reuters 
O peso chileno desvalorizou-se ontem em 2,4% no mercado de câmbio livre, situando-se 469,00 pesos por dólar para venda, contra os 457,80 da véspera nas operações de venda no mercado interbancário. O fortalecimento do dólar norte-americano - ratificado pelo Banco Central, que estreitou a banda de flutuação da divisa - deveu-se às medidas fiscais destinadas a compensar os efeitos da crise asiática.
O pacote fiscal anunciado anteontem à noite pelo ministro da Fazenda, Eduardo Aninat, prevê um corte de US$ 685 milhões nos gastos públicos para este ano. O presidente do Banco Central, Carlos Massad, informou que também as margens de flutuação da banda cambial, até agora de 12,5% acima ou abaixo da cotação pactuada, passarão a ser de 3,5% para o piso e de 2% para o teto. Ou seja, o peso pode oscilar entre a mínima de 456 unidades por dólar e a máxima de 482 unidades, sem necessidade de intervenção do BC.
As autoridades afirmaram ainda que o país tem reservas internacionais de US$ 16 bilhões, volume considerado suficiente para financiar as importações pelos próximos seis meses. O cenário futuro, porém, continua cinzento, pois as cotações do cobre no mercado internacional, um dos principais produtos de exportação do país, recuaram mais 1,1% ontem na Bolsa de Nova York, pelo quarto dia consecutivo, por causa da queda na demanda do Japão, segundo maior consumidor no mundo.
Com a desvalorização do iene em relação ao dólar, o Japão reduziu seu consumo de cobre em 28% no primeiro trimestre. A recessão no Japão provocou desaceleração nas compras do produto por parte das construtoras.
Conforme um relatório divulgado ontem pelo Deutsche Bank Securities, o Chile é o país latino-americano mais afetado pela crise asiática. A Ásia absorve cerca de 30% das exportações chilenas, ou mais de US$ 5 bilhões. Só nos primeiros cinco meses do ano o rombo na balança comercial atingiu US$ 908 milhões. Além disso, os minérios em geral, cujos preços estão em baixa, são responsáveis por mais de 50% das vendas externas do país.


