A queda nas cotações da soja verificada desde a última sexta-feira, na Bolsa de Chicago, travou os negócios ontem, no Porto de Paranaguá. O mercado recuou, numa demonstração que a defensiva tem sido a principal característica dos negociadores de soja do Brasil. Para Fernando Muraro, da Cotriguaçu, esse comportamento foi reflexo das bruscas oscilações ocorridas em Chicago, em que a cotação da soja caiu de US$ 5,66 por bushel e chegou a US$ 5,37. No decorrer do dia, o mercado se recuperou e fechou em US$ 5,50 por bushel, uma queda de 2,8% no dia.
Segundo o analista da agência Safras e Mercados, Flávio França Junior, o mercado está sofrendo mais a influência da previsão de clima chuvoso para essa semana nos Estados Unidos. Segundo ele, o mercado não se convenceu com o relatório do USDA que informou pela primeira vez que a safra 2000/2001 deverá alcançar uma produção de 80 milhões de t de soja. Na verdade, o mercado esperava entre 75 e 78 milhões de t e agora os negociadores estão na dúvida se essa projeção irá se concretizar e por isso ficam na defensiva de um lado, e de olho no clima, de outro.
França acredita que essa previsão pode levar muitos analistas à duvida, mesmo porque ainda tem todo o período de plantio e desenvolvimento da cultura pela frente. Ocorre que o componente climático tem revelado ser um fator eficaz de altas e baixas na Bolsa de Chicago. ‘‘Aliás o mercado vem se pautando pelas alterações de clima, desde meados de março’’, afirma. Segundo ele, o fato de estar chovendo de forma continuada após um bom período de seca, fez as cotações perderem força, já que as chuvas indicam a colheita de uma boa safra, como está nas previsões, justifica.
A queda nas cotações da soja na Bolsa de Chicago refletiu em Paranaguá. Segundo Muraro, a cotação da soja caiu de US$ 11,50 há uma semana para US$ 11,00 a saca, ontem. ‘‘Essa queda foi influenciada também pela alta do dólar, que fez com que os vendedores ficassem perdidos durante todo o dia de ontem’’, disse. No balcão, a soja continuou a ser oferta por R$ 17,70 a saca, o mesmo preço de 6ª feira.
Segundo Muraro, faltam 50% da soja paranaense para ser negociada e isso deverá ocorrer de forma mais escalonada até o final do ano. Até agora, a comercialização foi lenta e daqui para frente deverá continuar nesse rítimo. Para França, da Safras e Mercado, as vendas vão acontecer quando o mercado reagir e deverão recuar, quando as cotações caírem.
Conforme o relatório divulgado pelo USDA, até ontem, 57% dos 30,3 milhões de ha previstos para o plantio de soja, estavam plantados. Se o plantio for concluído nessa área, a produção deverá atingir 80 milhões de t, que deverão gerar estoques finais de 13,5 milhões de t, um dos mais altos da história. Ocorre que as previsões de clima seco ainda não forma descartadas.
Missão francesa Uma missão francesa da região da Aquitânia está no Paraná para ‘‘prospectar’’ negócios para compra de soja não transgênica. Os franceses querem negociar diretamente com cooperativas e produtores para que o produto comprado tenha condições de rastreabilidade e rotulagem. Segundo o assessor da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, os franceses estão dispostos a pagar mais pela soja convencional.
A missão francesa esteve pela manhã na Secretaria da Agricultura, onde foi recebida pelo secretário da Agricultura Antonio Poloni. Os membros da missão mostraram interesse em conhecer o processo de certificação da soja não transgênica. À tarde, foram recebidos na Faep e Ocepar, onde falaram do interesse em negociar diretamente com as cooperativas, que controlam cerca de 60% da soja produzida no Estado.
Segundo Albuquerque, as cooperativas paranaenses exercem um controle maior sobre seus cooperados e por isso podem garantir um fornecimento de soja convencional, com condições de ser totalmente rastreada. Isso vai de encontro às expectativas dos franceses que querem garantia de uma produção livre de organismos geneticamente modificados. A soja não transgênica deverá ser comprada pelos produtores de leite da região da Aquitânia, que querem um produto neutro para a fabricação dos queijos que produzem.

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