São Paulo - A devolução de cheques por insuficiência de fundos em todo o país cresceu 27,2% em fevereiro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2005, segundo levantamento realizado pela Serasa. O aumento também foi observado no primeiro bimestre do ano e na comparação com janeiro.
Em fevereiro foram devolvidos 20,1 cheques sem fundos a cada mil compensados, enquanto que em fevereiro do ano passado houve 15,8 cheques devolvidos por mil compensados.
De um total de 124,1 milhões de cheques compensados em fevereiro, 2,5 milhões foram devolvidos duas vezes por falta de fundos. No mesmo período de 2005 haviam sido compensados 153,8 milhões de cheques, e devolvidos, 2,4 milhões, no país.
Os técnicos destacam, no entanto, que apesar da inadimplência com cheques registrada em fevereiro estar alta, a série histórica dessa forma de pagamento ainda é baixa em relação ao mercado, pois 20,1 cheques devolvidos a cada mil compensados significa 2,01% de taxa de inadimplência.
Na comparação mensal entre janeiro e fevereiro deste ano, o aumento nos cheques sem fundos foi de 5,8%. Em janeiro foram devolvidos 3 milhões de cheques, de um total de 157,4 milhões de compensados, o que representou 19 cheques devolvidos por falta de fundos.
O primeiro bimestre do ano também registrou alta no volume de cheques devolvidos a cada mil compensados, quando comparado aos dois primeiros meses de 2005. O aumento foi de 25,8%, sendo que em janeiro e fevereiro deste ano foram devolvidos 19,5 cheques sem fundos, e no primeiro bimestre de 2005, houve 15,5 devolvidos.
Para os técnicos da Serasa, assim como em janeiro, o crescimento do número de cheques devolvidos em fevereiro está relacionado ao maior comprometimento da renda dos consumidores com os tradicionais pagamentos de início de ano (IPTU, IPVA, matrícula e compra de material escolar).
Outros fatores apontados para o aumento da devolução de cheques por insuficiência de fundos é o maior endividamento da população devido à expansão do volume de crédito concedido, aliado às altas taxas de juros praticadas e a aceitação de cheques pré-datados sem o uso de métodos adequados para a análise de crédito.
''Quando o pagamento é à vista qualquer meio de pagamento é bom, mas quando é a prazo o que conta é metodologia'', afirma o presidente da Serasa, Élcio Anibal de Lucca. Ele destaca que para reduzir o risco na aceitação de cheques pré-datados é necessário que as empresas adotem a definição de políticas de crédito compatíveis com a conjuntura e o segmento de atuação e realizem a monitoração contínua do risco da carteira de clientes.

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