Cheques sem fundo batem recorde no País em julho
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quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Agência Folha São Paulo 
De cada 1.000 cheques compensados em julho, 7,4 foram devolvidos por falta de fundos. Esse número é recorde no País, segundo dados divulgados ontem pela Serasa (Centralização de Serviços dos Bancos). Em julho, aproximadamente 254 milhões de cheques passaram pela Câmara de Compensação do Banco do Brasil, sendo que cerca de 1,9 milhão foram devolvidos (0,74% do total).
No mesmo mês de 1996, foram compensados cerca de 260 milhões de cheques, com devolução de 0,41%, ou seja, 4,1 em cada 1.000. Assim, o número de devolvidos em julho deste ano cresceu 80,5% em relação a julho de 1996. No primeiro semestre deste ano o percentual de devolução foi de 0,64% (ou 6,4 em cada 1.000), contra apenas 0,40% entre janeiro e junho de 96. Nesse caso, o aumento foi de 60%.
Para os técnicos da Serasa, o aumento dos cheques sem fundos se deve, principalmente, a financiamentos concedidos no passado sem os devidos cuidados de análise de crédito e concretizados com o recebimento de pré-datados. Além disso, parte desses cheques foi emitida por pessoas que ainda não se acostumaram com a moeda estável ou não controlaram corretamente o orçamento doméstico, diz a Serasa. Outra parte é de pessoas que perderam o emprego.
O economista Emílio Alfieri, do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo, disse que os dados da Serasa batem com aqueles levantamentos pela entidade. Em julho, a associação também havia registrado recorde de inadimplência, com 314,67 mil consumidores deixando de pagar suas prestações em dia (mais 75,5% sobre igual mês de 1996).
Em agosto, o número de cheques sem fundos deve ter tido crescimento menor, segundo Alfieri. É que, disse, a associação registrou 251,79 mil consumidores com prestações em atraso no mês.


