Cheques sem fundo aumentam 15%
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de janeiro de 2001
Maigue Gueths De Curitiba 
O número de cheques sem fundo resgistrado no Banco Central no ano passado foi 15% maior do que em 1999. No Paraná, esse aumento foi de 12,6%, nos primeiros onze meses do ano. Esse aumento surpreendeu os analistas, uma vez que todos os outros indicadores, como o de títulos protestados, concordatas e falências reduziram em 2000. Em contradição a esses números, a quantidade de pessoas que conseguiram quitar suas dívidas e limpar o nome na praça aumentou consideravelmente no ano passado, passando de uma média de 20% a 30% para até 75% em alguns meses.
Para Walter Belik, assessor econômico da SCI/Equifax, empresa privada de informações comerciais, esses números são um reflexo da instabilidade pela qual passa o Brasil. A pessoa dá um cheque sem fundo, resgata, paga o
que deve, perde o emprego, depois deixa de pagar de novo, diz. No Estado, de acordo com dados da Associação Comercial do Paraná (ACP), 4.120 pessoas conseguiram resgatar suas contas em dezembro, o que significou um crescimento de 108% em relação a novembro. A inadimplência também vem caindo ano a ano no Estado, passando de 5,7% em 98 para 4,48% em 99, e 2,7% no ano passado.
No Paraná, a quantidade de cheques sem fundo emitidos aumentou 12,6%, entre janeiro e novembro do ano passado. Em 99, retornaram 4.635 cheques sem fundo nos bancos contra 5.218 apenas nos 11 primeiros meses de 2000. Em valores, significaram R$ 2,336 milhões em 99 contra R$ 2,639 milhões em 2000.
Segundo Belik, o aumento na quantidade de cheques sem fundo em contraponto à queda de outros indicadores, como os pedidos de concordata, que caíram 40% em 2000, mostra, também, que o cheque tornou-se mecanismo de crédito quase que exclusivo de uma camada de mais baixa renda da população. São essas pessoas que estão com dificuldades de saldar sua contas, diz.
Um dos setores que mais sofrem com os chamados cheques voadores são os postos de gasolina. Por esse motivo, desde o início do ano passado o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis de Curitiba e Região Metropolitana (Sindicombustíveis) fez um convênio com os quatro cartórios de protesto de Curitiba para agilizar o protesto dos cheques devolvidos nos postos. Resultado: só entre janeiro e agosto do ano passado, foram protestados em cartório 13 mil cheques. Esses números, segundo o presidente do sindicato, Roberto Fregonese ainda não representam o total de cheques sem fundo dados nos postos. Muitos são de valor menor e não vale a pena o custo que temos no cartório, diz.
Para reduzir a inadimplência, os postos de todos País, de acordo com Fregonese, estão se mobilizando para fazer uma audiência pública neste ano no Congresso Nacional para, junto com a Federação dos Bancos (Febraban), discutir uma solução para o grande número de cheques sem fundo emitidos.


