São Paulo - Os cheques, principalmente de valores altos, poderão ser compensados em tempo real a partir de fevereiro. A informação é do diretor-executivo da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Paulo Cândido de Oliveira.
Segundo ele, a ABBC desenvolveu um projeto, chamado de ''Cheque ON'', em parceria com a empresa de tecnologia C&M Software. ''O sistema já foi testado e está pronto. A nossa pretensão é que ele entre em vigor em fevereiro e, na pior das hipóteses, em março'', afirmou.
Para a realização das compensações em tempo real, segundo Oliveira, não será preciso a aprovação do Banco Central, ''que está por dentro do assunto''. ''A idéia é transformar o cheque em uma Transferência Eletrônica Disponível (TED, mecanismo de liquidação on-line criado pelo novo Sistema de Pagamentos Brasileiro)'', disse Oliveira.
De acordo com o executivo, em diversas operações o cheque ainda é o principal instrumento de pagamento, como na aquisição de um carro ou um apartamento. ''Você não anda na rua com R$ 20 mil no bolso, então emite um cheque, pois não há como fazer uma TED de qualquer local'', afirmou.
Orli Machado, diretor da C&M Software, disse que o sistema funciona com a mesma rede de circulação de dados do SPB e sua função será coordenar o processo de liquidação de cheques, e com isso, tornar a automação bancária mais eficiente. ''Sessenta e um por cento dos bancos responsáveis por emissões de cheques já aderiram ao sistema'', disse.
O projeto da ABBC, porém, não deve contemplar a maioria dos cheques emitidos no País, segundo avaliação do presidente da Abracheque, Carlos Pastor.
Dados da Abracheque mostram que 72,5% das emissões são pré-datadas, o que inviabiliza a compensação em tempo real. Pastor considera também que o projeto da ABBC deve priorizar cheques de valores altos, que são minoria. De acordo com ele, 92,5% dos documentos emitidos no Brasil são de valores abaixo de R$ 1.000.
O diretor da C&M Software, disse, porém, que não há limite de valor para a compensação de cheques em tempo real. A única exigência, segundo ele, é que o depositante que recebeu um pagamento em cheque seja cliente de um banco conveniado ao sistema de compensação em tempo real.
''O mecanismo poderá ser utilizado por empresas e pessoas físicas. Quem vai determinar se o cliente tem condições de usá-lo é o banco'', afirmou Machado. O diretor-executivo da ABBC, admitiu, no entanto, que para cheques de baixo valor deverá ser mais barato fazer a compensação tradicional, pois os bancos deverão cobrar tarifas para a liquidação em tempo real.
Ele disse ainda que, no caso do ''Cheque ON'', as empresas ou estabelecimentos comerciais que aderirem ao sistema terão que notificar os emitentes de cheques.

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