Cheques dão dor de cabeça aos empresários
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sexta-feira, 19 de maio de 2006
Da Redação 
Para quem não gosta de carregar dinheiro no bolso ou usar o cartão de crédito, o cheque é a alternativa para comprar produtos. Porém, cada vez mais os comerciantes vêem o cheque com desconfiança. E não é para menos. A facilidade com que os bancos aceitam a sustação de um cheque e o volume de cheques sem fundos que são emitidos diariamente estão deixando os empresários de cabelo em pé e bolso vazio.
Só para se ter uma idéia, abril representou o segundo mês com maior volume de cheques devolvidos desde 1991. É o que mostra uma pesquisa divulgada pelo Serasa, que iniciou o estudo na década passada. No período, houve crescimento de 17,9% no índice, sobre o mesmo período do ano passado.
Foram compensados 133,3 milhões de cheques, sendo que 3 milhões voltaram por falta de fundos - o que correspondeu a um indicador de 22,4 cheques devolvidos a cada mil compensados. Em abril do ano anterior, a devolução havia ficado em 19 a cada mil, após a compensação de 155,6 milhões de folhas e a devolução de 2,9 milhões.
Segundo o professor de Contabilidade da Universidade Estadual de Londrina, (UEL) e diretor do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade (Sescap-LDR), Claudenir Tarifa Lembi, o empresário, seja ele do comércio, indústria, serviços ou outro segmento deve se cercar de todo o cuidado possível para evitar prejuízos.
''Muitas vezes é melhor ter uma venda menor mas de qualidade'', afirma Lembi. Ele explica que, quando o empresário vende um produto e tira a nota fiscal, se o comprador não pagar o bem adquirido, o prejuízo para o empresário não se limita ao valor que ele não recebeu. ''É preciso considerar que efetuada a transação é gerado o imposto. E mesmo que ele não tenha recebido pela venda, terá que pagar a parte do governo'', alerta.
O professor dá como exemplo os postos de combustíveis, alvo constante de cheques devolvidos. Ao vender 40 litros de gasolina para um cliente, considerando o preço médio do produto em Londrina que é de R$ 2,68 o litro, o dono do posto deveria receber do cliente R$ 107,20 pela venda. Se a margem dele for de R$ 0,30 por litro e o cheque do cliente for devolvido por falta de fundos, o empresário terá que vender 357 litros de gasolina para pagar o prejuízo, isso sem contar com os impostos.
Por isso, reforça Claudenir Tarifa Lembi, todo cuidado é pouco para evitar prejuízos. ''É importante manter um cadastro atualizado do cliente, consultar o cheque, o Serasa, o banco. Desta forma é o empresário consegue minimizar os riscos'', ensina. Segundo o professor os empresários devem entender que é muito melhor fazer uma venda menor, mas qualificada, do que vender muito e correr o risco de não receber.
Outro problema é a sustação do cheque. Os pagamentos de cheques podem ser sustados basicamente por dois motivos: Contra-Ordem (ou revogação) ou oposição (ou sustação) ao pagamento pelo emitente ou pelo portador; Contra-ordem (ou revogação) ou oposição (ou sustação) ao pagamento, ocasionada por furto ou roubo, cuja utilização fica condicionada à apresentação pelo emitente, em ambos os casos, ou pelo portador legitimado, no caso de oposição (ou sustação), da respectiva ocorrência policial.


