Cheques clonados e documento falso são o novo 'terror' para o comércio
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segunda-feira, 12 de novembro de 2001
Maigue Gueths<br>De Curitiba 
Depois dos ''cheques voadores'', os cheques clonados ou adulterados e o uso de documentos falsos são os principais problemas enfrentados, atualmente, pelos comerciantes. No Paraná, a história não é diferente. Embora não haja estatística sobre a quantidade de compras fraudulentas, a Associação Comercial do Paraná (ACP) já vê com preocupação a proximidade das festas de final de ano e, consequentemente, o aquecimento nas vendas, que deve acarretar num aumento do índice de criminalidade e ação dos fraudadores.
Recentemente, por exemplo, uma revendedora de automóveis de Curitiba quase foi vítima de um golpe deste tipo. Desconfiados com a carteira de identidade apresentada por uma pessoa que queria comprar um veículo, os vendedores decidiram consultar o perito Jorge Irosche Kadamoto. Apenas através de um fax com o documento, o perito constatou que o documento era falso, e a concessionária se safou de levar um grande furo em suas vendas.
''Só de cheques sem fundo, o Brasil teve 105 milhões no ano passado. Mas não dá para saber quantos dão golpes com documentos falsos ou adulterados porque muitas empresas não registram queixa'', diz o perito. Kadamoto alerta, inclusive, sobre a necessidade dos comerciantes agirem com rigor nestes casos. Recentemente, segundo ele, uma quadrilha do Rio de Janeiro, presa em Curitiba, declarou que preferia atuar no Paraná porque era mais fácil dar golpe. ''Se todos os comerciantes denunciassem iria diminuir o número de casos'', diz.
Segundo Kadamoto, os golpes mais comuns são feitos com o uso de cheques clonados ou adulterados, com documentos ou cartões de crédito falsos. Clonados são os cheques escaneados de algum banco e colocados em nome de uma pessoa qualquer existente. Os adulterados são normalmente roubados ou desviados pela remessa de correio e têm o nome e CPF mudados. Documentos falsos servem para subsidiar cheques roubados. E cartões de crédito falsos, segundo ele, são fáceis de fazer. Outro golpe comum, ultimamente, é o cheque cirúrgico, ou seja, a pessoa retira com bisturi a primeira camada do papel normalmente a parte do valor colando outra preenchida no lugar, normalmente colada com esperma, que é transparente e tem boa aderência.
Para prevenir estes casos, a ACP realiza há seis anos o curso ''Identificação de Fraudes e Documentos'' para comerciantes e comeciários ensinando a identificar documentos, cheques e dinheiro falsos ou adulterados. ''Ficou bem melhor trabalhar agora. Sempre que vou fazer um cadastro novo consulto minha apostila'', diz a assistente administrativa da Simone Modas, Elza Maria de Oliveira, que atua há 8 anos no comércio, e participou da última turma do curso, realizado entre 16 e 18 de outubro. Ela conta que até hoje só teve problemas com contas não pagas, seja por receber cheques sem fundo ou falta de pagamento, mas nunca enfrentou uma situação com um cliente aparecer com documentação falsa.
O próximo curso acontece entre os dias 20 e 22 de novembro, sempre das 19 às 22 horas. O custo é de R$ 55,00 para associados da ACP e de R$ 110,00 para não-sócios. ''O curso é interessante principalmente porque as pessoas ficam mais preventivas'', diz Kadamoto, que ministra o curso.


