São Paulo - Sem a CPMF, deixar o pagamento das compras de Natal para janeiro pode ser vantajoso para o consumidor. Mas é preciso estar atento ao valor das compras e à possibilidade de aumento de outros impostos para não perder as oportunidades de negócio que devem aparecer até o fim do mês. Quem já comprou à prazo, precisa avaliar os riscos de multas, juros e correção monetária terem valores superiores aos 0,38% descontados pelo imposto, caso decida deixar o pagamento para janeiro. ‘‘Em lojas de departamento, a multa por atraso costuma ser de 2%, não compensa esperar ’’, diz o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Oliveira.
  O consultor de finanças pessoais Marcos Crivelaro acredita que o adiamento deve ser feito apenas para compras de valor maior que R$ 1 mil, com a ressalva para as ofertas que podem não estar mais disponíveis no mercado em janeiro. ‘‘Esperar pode significar a perda de um bom negócio. E a quantia que a CPMF representa pode não ser significativa’’, avalia.
  ‘‘Além do cheque pré-datado, o cartão de crédito também pode ser uma opção para postergar pagamentos’’, explica o superintendente do Instituto de Economia da Associação Comercial de São Paulo, Marcel Domingos Solimeo. Ele acredita que o comércio deve ser receptivo às negociações sobre datas, especialmente se a compra envolver um valor alto. ‘‘Quem está comprando casa ou carro, por exemplo, deve negociar’’, diz Solimeo.
  De acordo com os especialistas, quem ainda não aplicou o 13º salário em investimentos de renda fixa, pode aguardar o início de janeiro. ‘‘Nenhum investimento vai compensar a perda da CPMF agora que estamos no meio do mês’’, afirma Crivelaro.
  Aguardar, no entanto, não é regra, já que há também a chance do governo aumentar o preço de outros tributos, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), para compensar as perdas da CPMF. ‘‘Dependendo do tipo de investimento e do risco, é melhor não esperar até janeiro’’, explica.

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