Cheque, o melhor amigo do crédito
Apesar das diversas formas de crédito que circulam no mercado, o cheque ainda tem um lugar privilegiado nas transações comerciais. Barato para o comerciante e garantia de crédito para o consumidor em dia com seu banco, esta forma de pagamento tem sido a preferida pelos donos de estabelecimentos que necessitam de capital de giro e estão cansados de pagar taxas elevadas a operadoras de cartões de crédito ou financeiras.
Um exemplo de categoria que tem lançado mão do cheque é a dos donos de postos de gasolina, que recentemente desafiaram até mesmo a Secretaria do Direito Econômico, para exercer o direito de boicotar os cartões de crédito. Neste segmento, em que os cheques já representam cerca de 60% dos pagamentos, de acordo com o sindicato que reúne os proprietários de postos, os cartões de crédito se transformaram em vilões. Taxas de administração e demora no pagamento causam, segundo os proprietários de postos, mais estragos que eventuais problemas que possam vir a ter com cheques.
Essa situação deve ser analisada com pesos e medidas reais. Recentemente, após participar de uma palestra sobre Emissor de Cupom Fiscal com Transferência Eletrônica de Fundos, constatei que, ao adotar esse sistema, o empresário tem que fazer grande ginástica para absorver novos custos operacionais.
Para adotar este sistema, no que se refere às vendas com cartão de crédito, é necessário que o estabelecimento comercial adquira um software que faça a comunicação entre o ECF e a máquina emissora do recibo do cartão de crédito. Se a questão técnica se limitasse apenas à aquisição de um equipamento, a vida de comerciantes e consumidores não seria afetada. O grande problema é que a tecnologia envolvida pressupõe a utilização de diferentes tipos de softwares e, em consequência, seu constante desenvolvimento.
Para melhor entender a situação, basta fazer uma conta simples. O aluguel mensal das máquinas que habilitam o uso do cartão de crédito varia de R$ 60,00 a R$ 80,00. Para um estabelecimento trabalhar com cinco bandeiras, por exemplo, ele terá de desembolsar R$ 400,00. Mas os custos não param por aí. A lei que obriga os estabelecimentos a adotar o Emissor de Cupom Fiscal (ECF) determina que sejam adquiridos softwares específicos de cada bandeira, para que seja possível fazer a comunicação entre o ECF e a máquina emissora do recibo. Assim, como cada um destes programas custa cerca de R$ 400,00, deverão ser desembolsados mais R$ 1.500.
Imagine o que é para um pequeno comerciante arcar com quase R$ 2 mil de despesas que dizem respeito apenas ao maquinário e softwares! Vale lembrar que nesta conta não estão incluídas as taxas praticadas pelas administradoras de cartões em torno de 7% , a carência de 30 dias antes do recebimento do valor da venda e o custo de manutenção e desenvolvimento dos softwares. Outro ponto importantíssimo é o prejuízo decorrente de uma pane no sistema.
Apesar do fantasma dos créditos duvidosos, se um comerciante tiver como perda um índice inferior a 15% sobre suas vendas, o cheque pré-datado ainda é o instrumento mais vantajoso como forma de pagamento parcelado. Isto porque, com o cartão de crédito, o custo financeiro excede esse percentual. Para comprovar isto por meio de cálculo, basta somar os 7% da taxa de administração aos 8% do custo do cheque especial instrumento geralmente utilizado até o recebimento dos recursos provenientes da venda com cartão , sem contar os custos fixos com os aluguéis das máquinas.
O cheque pré-datado, não há dúvida, é uma forma criativa e eficiente que o mercado encontrou para oferecer um instrumento de crédito barato, que não pesa no bolso do comerciante e nem do cliente. Mas esse instrumento esbarra no problema da inadimplência, que tem obrigado os comerciantes a buscarem tecnologias seguras de análise de risco de crédito.
O site Cheque-pre.com permite, por exemplo, a seleção e classificação de risco do emitente e a averiguação da quantidade de cheques devolvidos, sustados e emitidos por ele. Além disso, possibilita verificar a duplicidade de cheques de um mesmo banco conta e agência para um CPF/CNPJ diferente, além da conferência do CPF/CNPJ na Receita Federal, consulta do histórico de compras do cliente no estabelecimento e emissão de relatórios de fluxo de vencimento de todos os cheques cadastrados, por ordem de data. Com um instrumento de análise e verificação eficaz e a um custo baixo, a inadimplência deixa de ser uma ameaça para o empresário, beneficiando simultaneamente o consumidor. Não podemos esquecer que, de uma forma ou de outra, o custo dessa inadimplência é repassado aos preços. Para o consumidor, o cheque pré-datado ainda oferece outra vantagem: essa forma de parcelamento não implica em taxas extras ou juros mensais, ao contrário dos cartões de crédito, cuja taxa média de juros para parcelamentos (leia-se crédito rotativo) é de 9,34% ao mês, podendo atingir o índice absurdo de 12,90%.
VALMIR DUARTE COSTA é diretor da Cheque-pre.com.





