Brasília - Os juros cobrados pelos bancos nos empréstimos aos consumidores subiram 0,5 ponto porcentual em setembro, passando de 64,4% para 64,9% ao ano. ''A elevação veio puxada pelas operações do cheque especial'', disse o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes. A taxa do cheque especial, de acordo com Altamir, chegou a 148,8% ao ano, a maior registrada desde setembro de 2003.
O encarecimento do custo dos empréstimos com cheque especial, de acordo com o chefe do Depec, pode ser um reflexo da elevação das vendas do comércio em agosto. ''As pessoas podem ter comprado presentes para o dia dos pais em agosto e recorrido ao cheque especial na primeira metade de setembro para honrar seus compromissos'', explicou. Este movimento, segundo Altamir, pode ter sido revertido já na segunda metade do mês passado.
Nesta hipótese, a tendência dos juros cobrados pelos bancos nestas operações seria de queda. ''O problema é que o nosso número representa uma média da taxa de juros do mês. Com isso, temos dificuldade de refletir esta possível oscilação'', disse.
Outra explicação para a alta dos juros dos empréstimos aos consumidores, segundo Altamir, foi a decisão dos bancos de não repassar aos seus clientes a queda do custo de captação de recursos junto ao público. Em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,5 ponto porcentual. Portanto, o dinheiro ficou mais barato para os bancos. Nem por isso os clientes foram beneficiados. ''Houve um aumento da margem de lucro dos bancos'', disse.
Ele acredita, porém, que a taxa de juros ao consumidor deverá começar a refletir a queda da Selic já a partir deste mês. ''A tendência para os juros é declinante'', disse. Ele lembrou ainda que o Copom só cortou os juros no final de setembro.
Apesar de caras, as operações de crédito continuaram crescendo. Elas chegaram a 17,1% do Produto Interno Bruto (PIB), um recorde na série, iniciada em 1996. Pelos dados do Depec, o crédito livre em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) chegou aos 17,1% depois de ter alcançado os 16,9% em agosto. ''O porcentual de agosto já era recorde'', ressaltou.
Consignado - Os empréstimos consignados em folha de pagamento concedidos a funcionários públicos e aposentados do INSS, que vinham crescendo a um ritmo de 5% ao mês, desaceleraram em outubro. Já na iniciativa privada, o Depec identificou uma forte expansão dos empréstimos com desconto em folha aos trabalhadores.
Apesar da queda entre os aposentados e os servidores públicos, o chefe do Depec acredita que ainda há espaço para o aumento do volume destas operações. ''O número de contratos com aposentados do INSS é de apenas 7 milhões, ante um potencial de 23 milhões'', disse. ''Como a base destas operações ainda é pequena, a tendência é que elas cresçam mais rápido a partir de agora'', disse.
No mês passado, estes empréstimos tiveram um aumento de 4,7% e saltaram dos R$ 2,741 bilhões de agosto para R$ 2,871 bilhões. O estoque dos empréstimos desta modalidade tomados por servidores público e aposentados estava em R$ 18,393 bilhões no final do mês passado.

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