Cheque especial: fácil, mas (muito) caro
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domingo, 21 de junho de 2009
Agência Estado 
Brasília - Mensalmente, milhares de contas correntes mudam de cor. Dias após o pagamento do salário, o extrato deixa de mostrar números positivos e passa para o vermelho até que o próximo salário seja depositado. É nesse intervalo que o cheque especial vira a salvação.
No fim de abril, brasileiros usavam R$ 18,05 bilhões do limite oferecido pelos bancos, no maior valor da história. Pior que estar devendo é pagar por esse crédito. Mesmo com a taxa básica de juros em queda, pouca coisa mudou no juro do cheque especial. Nos maiores bancos, ele segue acima de 150% ao ano.
Esse é o crédito mais fácil de usar. Sempre disponível, o dinheiro está na conta, prontinho. Pode ser em um saque no meio da noite ou em um pagamento no débito e o empréstimo começa a valer sem a assinatura de papéis ou a presença do gerente. Tanta facilidade tem um preço.
Entre todas as linhas acompanhadas pelo Banco Central, o cheque tem o maior spread (em abril, era de 156,3 pontos porcentuais). Na média de todos os financiamentos a margem fica em 28,2 pontos.
Na prática, isso quer dizer que um cliente que aplica R$ 100 no banco tem R$ 110,03 no fim de 12 meses. Na mão da instituição, esses R$ 100 são usados para cobrir o cheque especial de outro consumidor que, ao fim do mesmo período, tem de pagar R$ 266,30. Nas instituições, a explicação é o tripé inadimplência, impostos e compulsório.
Na média, quem usa o cheque especial leva 22 dias para voltar ao azul. Dados do BC mostram que esses clientes contam com dinheiro disponível apenas na primeira semana após o depósito do salário.
Historicamente, o uso do cheque é duradouro. Desde que o BC começou a acompanhar o uso desse empréstimo automático, a média de dias de uso nunca foi inferior a 19.
Mas a situação parece estar piorando. Em outubro do ano passado, o cheque foi usado, na média, por 22 dias pela primeira vez na história. Esse número voltou a se repetir em março e abril de 2009.
A situação é pior para 9,7% desses clientes. Para o grupo, a conta corrente não volta ao azul quando o salário chega. Isso porque praticamente um em cada dez usuários estão permanentemente no vermelho há pelo menos três meses, situação que caracteriza inadimplência para o BC.
O uso mensal repetido do crédito por um período de muitos dias indica que as pessoas usam o limite disponível como complemento da renda. ''Há falta de planejamento. Esses consumidores são muito confiantes do ponto de vista psicológico quanto à situação financeira'', diz o consultor Daniel Milanez.


