Cheque especial é uma das linhas com maior risco de inadimplência
Curitiba - Entre as principais linhas de crédito, destacou-se a alta do cheque especial que atingiu 187,8% ao ano. Esta taxa subiu pelo segundo mês seguido. Esse é o maior valor desde abril de 1999, quando estava em 194% ao ano. Miguel Oliveira, da Anefac, explica que o cheque especial é uma das linhas de maior risco de inadimplência, por isso, o juro sobe mais. O economista Vanderlei Sereia, da UEL, também concorda que esta modalidade oferece mais risco para os bancos na hora de receber do cliente e tem um volume maior de devedores.
Outra linha que teve destaque na pesquisa foi a concessão de crédito para compra de veículos por pessoas físicas que atingiu os maiores valores do ano em setembro e outubro e cresceram 10% na média desse período em relação aos dois meses anteriores. Foram liberados nesses dois meses, respectivamente, R$ 8,5 bilhões e R$ 8,6 bilhões. Oliveira e Sereia acreditam que a maior busca por financiamentos de veículos está associada às promoções que o setor tem oferecido até em função do final do prazo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que acaba no final do ano.
Perspectivas
Oliveira disse que a tendência para os próximos meses é que continue a redução do volume de empréstimos, a maior seletividade dos bancos e o aumento das taxas de juros. Ele acredita que estas previsões devem se confirmar até porque o BC vem sinalizando com novas altas da Selic, redução dos prazos de financiamento e aumento dos spreads bancários (parcela que inclui o lucro e custos das instituições) de forma a compensar possível elevação da inadimplência em um ambiente de baixo crescimento.
Sereia recomenda que as pessoas assumam novos financiamentos apenas se tiverem recursos no orçamento para isso. É preciso analisar a capacidade de orçamento seja na compra à vista ou parcelada, disse. A dica dele é sempre procurar as modalidades de crédito mais baratas. Ele alertou que o cheque especial deve ser utilizado como última alternativa. Também recomenda o uso do cartão de crédito com moderação para não cair no rotativo, que é o pagamento da parcela mínima. (A.B.)





