O cheque, tão rejeitado por grande parte dos comerciantes e esquecido pelos consumidores, ressurge quando o valor do débito é elevado ou quando o cliente é tido como de confiança pelo lojista. A Pesquisa Nacional sobre Liquidação de Cheques, feita mensalmente pela TeleCheque e divulgada na última quinta-feira, aponta que o valor médio gasto por meio dessa forma de pagamento pelos brasileiros em dezembro de 2012 foi de R$ 371,20, 17,08% a mais do que os R$ 317,05 do mesmo mês de 2011. Para se ter uma ideia, o valor do ticket médio de compras dos londrinenses no mês do Natal foi de R$ 150, segundo a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), ou menos da metade do que o levantamento apontou por meio dos cheques.
Por segmento pesquisado, a média mais alta nos pagamentos do tipo foram com turismo e entretenimento, com R$ 872,81, óticas, com R$ 809,62 e instituições de ensino, com R$ 578,59. Nos pagamentos com cheques para liquidação à vista, o valor médio mais alto foi o das óticas, com R$ 2,5 mil. Em relação aos pré-datados, o ticket mais alto foi com turismo e entretenimento, com R$ 898,49.
O economista Renato Pianovski, da Acil, afirma que, com a inflação de 2012 em 5,84% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a diferença do valor médio do cheque de dezembro do ano passado para o mesmo mês de 2011 fica mais fácil de ser entendida. Como é uma forma de pagamento mais adequada para altos valores, ele lembra ainda que presentes como eletroeletrônicos, celulares e artigos de informática tendem a ter preço elevado. ''São artigos novos, modismos, mas são presentes mais comuns.''
Com o grande número de estabelecimentos com cartazes que rejeitam recebimento por cheques, ele lembra que as pessoas usam cada vez menos esta modalidade como forma de pagamento. Porém, Pianovski diz que o talão não deve ser abolido. ''Se o consumidor é cliente costumaz da loja, não vai ser recusado e é melhor até para o comerciante'', conta. Ele se refere ao fato de as taxas cobradas de lojistas por operadoras de cartões de crédito serem altas. ''Para lojas pequenas, pacotes de turismo e afins, o comerciante consegue escapar das taxas, que muitas vezes são até abusivas'', diz o economista.
Pianovski também comenta o fato de os cheques pré-datados, que chama de ''uma instituição brasileira que chegou a outros países'', serem muito usados, por exemplo, na compra de materiais de construção. ''Quando o cheque é bom, de cliente conhecido, o comerciante consegue até trocar com o banco com descontos mais baixos.''
No caso de instituições de ensino, operadoras de turismo e lojas de material de construção, o pagamento por meio de cheques é facilitado porque é comum que as pessoas sejam conhecidas das instituições. Caso contrário, Pianovski lembra que os comerciantes ainda preferem pagar pelo uso de máquinas de cartões de crédito ou débito, para evitar a possibilidade de receber um cheque sem fundo.
Pesquisa
O levantamento da TeleCheque - que faz análise de crédtio para compras com cheque - é feito nos segmentos de alimentação, automotivos, calçados, combustíveis, educação, eletroeletrônicos, joalheria e bijouterias, magazines e lojas de departamentos, máquinas e peças, material de construção, móveis, decoração e artigos para o lar, produtos diversos, saúde, serviços diversos, turismo, entretenimento e vestuário. São negócios pagos em reais em 10 mil pontos de venda distribuídos em 890 cidades.

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