O canteiro de obras da hidrelétrica de Salto Caxias teve o que comemorar na terça-feira passada. Nesse dia, o rio Iguaçu registrou uma vazão quase oito vezes maior que o normal e superou os 9.900 metros cúbicos por segundo. A chuvarada impôs a primeira grande prova às equipes da Copel e à tecnologia aplicada na construção da usina. Nenhuma das estruturas, tanto da barragem como das ensacadeiras, sofreu qualquer dano e a recuperação das condições de trabalho foi muito rápida.
As águas ultrapassaram as ensacadeiras - pequenas represas que permitem que o leito do rio fique seco para a execução das obras - e atingiram a barragem em construção. Esta situação é chamada tecnicamente de over topping e para evitar danos são planejadas medidas específicas. Uma delas foi a construção do ‘‘dique fusível’’, uma estrutura que, ao ocorrerem vazões elevadas, permite que as águas fiquem retidas entre a ensacadeira e a barragem, formando um pequeno reservatório e evitando o rompimento da ensacadeira. Isso também permitiu a retomada do trabalho de lançamento de Concreto Compactado a Rolo (CCR) na barragem dois dias depois.
Para o engenheiro Ademar Cury da Silva, superintendente de Empreendimentos Especiais da Copel e responsável pela implantação de todos os projetos de Salto Caxias, ‘‘a rapidez na recuperação das condições operacionais foi uma prova da versatilidade do corpo técnico da empresa na obra’’.
O método de construção usado em Salto Caxias, além de não provocar a elevação do nível do rio em condições normais, previne maiores alagamentos em situações excepcionais, como a de terça-feira. Em vez de se trabalhar na elevação da barragem em toda sua extensão, as obras foram concentradas primeiro na margem direita e depois na esquerda, fora do leito do rio. Em uma extensão de 300 metros a barragem tem uma elevação menor, permitindo a transposição das águas e evitando danos às populações que vivem acima do rio.
‘‘Uma das maiores preocupações da Copel é prevenir impactos negativos de seus empreendimentos junto à comunidade regional’’, diz o engenheiro Mário Roberto Bertoni, diretor de engenharia e construção. ‘‘Por isso, adequamos tecnicamente nossos projetos para que sua influência seja a menos aguda possível’’. Ele lembra que toda estrutura da Copel disponível em Salto Caxias foi colocada para auxiliar as 133 famílias que eventualmente poderiam estar correndo riscos’’.

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