Brasília O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), Jorge Marquez-Ruarte, disse ontem que ''há sinais de que a recessão acabou e estamos entrando num período de crescimento''. Na sua avaliação, os cortes que o Banco Central vem promovendo nas taxas de juros são ''apropriados'' e o mercado espera novas reduções. ''Mas é preciso que se tenha cuidado e continuar vigiando o que se passa com a inflação'', comentou. ''É importante seguir com políticas prudentes na área macroeconômica, tanto fiscal como monetária, e tomar as medidas apropriadas a cada momento.''
Ruarte deu essas declarações pela manhã, ao chegar ao Ministério da Fazenda. A missão também foi recebida ontem pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e pelo ministro do Planejamento, Guido Mantega.
O chefe da missão concordou com a avaliação da equipe econômica brasileira de que a fase mais dura do ajuste econômico já passou. ''É claro que estamos entrando num período de crescimento'', afirmou. ''O Brasil superou uma crise muito grande e estamos em uma situação muito melhor do que há um ano.''
Ele considera correta a atitude do Banco Central, de promover cortes sucessivos na Selic. ''No momento, com a inflação sob controle, é apropriado que as taxas de juros estejam caindo e isso certamente vai ajudar o crescimento'', disse. ''Mas temos de seguir vigilantes.'' Ruarte não quis arriscar um palpite sobre quanto os juros ainda poderão cair no Brasil. ''Não faço previsões'', respondeu. ''Predizer o futuro é muito perigoso.''
Questionado sobre como seria a ''parceria para o crescimento'' proposta por Meirelles para um eventual novo programa com o FMI, Ruarte sorriu e respondeu: ''Todos os programas do Fundo Monetário são parcerias para o crescimento, essa é a intenção do Fundo Monetário.'' Ele lembrou que um programa de emergência para sair da crise, como foi feito com o Brasil, também é uma política a favor do crescimento. ''O que estamos vendo agora é produto do trabalho que o governo fez'', comentou.
Segundo Ruarte, os programas do FMI também têm uma vertente social. ''Certamente, o crescimento com equidade sempre foi objetivo do FMI.'' No Ministério da Fazenda, a missão esteve no Tesouro Nacional, onde avaliou os dados sobre a dívida pública. O perfil do endividamento vem apresentando melhoras e, em entrevista à Globonews, Ruarte elogiou: ''A dívida está mudando, o que faz com que o Brasil seja menos vulnerável a choques.'' Em setembro, a parcela da dívida atrelada ao dólar ficou em 26,48%, o menor comprometimento desde abril de 2001.
O valor de um eventual novo acordo do Brasil com o FMI levará em conta todos os recursos externos que o País receberá ao longo do próximo ano, inclusive recursos do Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), além dos investimentos estrangeiros diretos, informaram técnicos da área econômica.
As conversas sobre um novo acordo, porém, só deverão entrar numa fase decisiva na semana que vem. Por enquanto, os técnicos do Brasil e do Fundo estão concentrados na avaliação dos dados do terceiro trimestre do ano, que constituem as metas do acordo atualmente em vigor. Se as contas forem aprovadas, o Brasil terá direito a sacar a última parcela do programa, de aproximadamente US$ 8 bilhões.

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